Descobrindo o Nordeste Transmontano

Jorge Ribas, Agosto de 2008

 

Já muito tinha ouvido falar de Trás-os-Montes. Desde “terra isolada, no fim do mundo” a “paraíso natural”, são muito variadas as opiniões que me foram chegando aos ouvidos desde que comecei a amadurecer a ideia para esta viagem. Sendo grande apreciador de regiões remotas e decidido a verificar por mim mesmo, parti então para a região mais remota de Portugal, com a ideia de voltar 2 semanas depois encantado com o que iria encontrar. Nada mais certo, assim foi. Sempre sosinho, como é usual nas minhas viagens, tive tempo mais que suficiente para apreciar, meditar, descansar os olhos em paisagens indescritiveis e ficar deslumbrado com terras de uma autenticidade dificil de igualar. Mas creio que já escrevi demais, vamos ao que interessa.

 

DIA 1 - 430 km

 

Partida de Loures pelas 8h15 da manhã, tendo como destino Mirandela. Como seriam uns cansativos 430km para fazer apenas na companhia do rádio e da simpática voz do GPS, fiz esta distancia em duas partes. Primeiro rumei a Viseu, onde parei para almoçar no que pessoalmente entendo como sendo o melhor restaurante do país, O Cortiço. Depois da inevitável sesta num agradável jardim de Viseu, foi altura de fazer os restantes quilómetros que me separavam de Mirandela. Cheguei ao parque de campismo 3 Rios Maravilha pelas 17h30, depois de algumas subidas testarem o vigor e a tenacidade da Vermelhinha, que passou no teste com nota 10. O resto do dia foi apenas para descansar desta maratona para então, no dia seguinte, me lançar à verdadeira descoberta de Trás-os-Montes.

Notas: Viajar pelo norte não é propriamente o mesmo que no Alentejo, as subidas e descidas devem ser feitas com calma, assim como toda a viagem em si. É conveniente fazer algumas paragens para descansarmos e apreciar-mos bem as belíssimas paisagens e deixar o motor “descansar” um pouco. O restaurante referido é para mim o melhor do país portanto… não irei fazer descrição, ir lá comer vale mais que mil palavras.

Gastos:

  • Restaurante 24,00€.

 

Zona fluvial de Mirandela, a pedir bons banhos

 

DIA 2 - 0 km

 

O dia começou bem cedo, com a alvorada por volta das 8h. O dia estava destinado para visitar Mirandela mas um obstáculo me separava desta cidade: 30 minutos a pé do parque até ao centro. Fiz-me ao caminho mas oportunamente, assim que andei uns 200 metros, uma alma caridosa ofereceu-me boleia até bem ao centro de Mirandela. O dia começou bem. Depois das devidas informações no posto de turismo, dei uma volta pelo centro histórico, não faltando uma atenção cuidada para o Solar dos Condes de Vinhais, ao Palácio dos Távoras e ao Santuário de Nª Srª dos Amparos. Vale o tempo despendido e é de aproveitar a mais valia de Mirandela, que é o facto de estar toda “virada” para o Riu Tua, com relvados, árvores, zona náutica de recreio e um bar bastante bom mesmo ao pé da ponte Eng. José Machado Vaz. O almoço foi no restaurante Grês, que faz uma combinação curiosa entre a comida regional transmontana e algumas ideias tiradas da culinária francesa. Devo dizer que resulta melhor do que aparenta á primeira vista e no final, agradou bastante. Já para o fim da tarde, foi tempo de voltar ao parque (sem boleia e debaixo de uns “esturrantes” 35º…) e tomar um bom banho de rio aproveitando a porta de acesso do parque ao mesmo.

Notas: No Verão, viajar em Trás-os-Montes acarreta um senão: o calor. Mais se assemelha a um maçarico, é simplesmente demolidor. No entanto, se tiver em mente umas férias para banhos, então deve haver poucos sítios tão agradáveis como Mirandela. Para estacionar a AC, recomendo um grande parque de estacionamento junto ao rio.

Gastos:

  • Restaurante 16,00€.

Centro Histórico de Mirandela

 

 

 

 

DIA 3 - 80 km

Depois do pequeno-almoço e de pagar o parque de campismo, foi altura de rumar a Macedo de Cavaleiros. Embora sendo uma localidade simpática, muito sinceramente não tem nada que ver, nem sequer um centro histórico. No entanto, depois de algumas informações esmeradamente dadas no posto de turismo, fiquei a saber que os arredores de Macedo de Cavaleiros teem muito para entreter qualquer turista. Fui visitar Pondence, uma aldeia antiga onde existe a Casa do Careto, que apesar de pequena é bastante curiosa e vale a visita para um conhecimento mais aprofundado desta singular maneira de festejar o Carnaval. Depois do almoço no restaurante Moagem (também em Podence), fui apanhar algum sol na praia fluvial da Fraga da Pegada, uma excelente praia dotada de óptimas infra-estruturas de apoio ao banhistas.

 

Já pelas 18h rumei para o parque de campismo do Inatel em Bragança, parque esse que tem apenas as necessárias infra-estruturas de apoio, não contando sequer com um simples café… .

Notas: Em Podence há que acautelar o estacionamento, sob o risco de ficarmos “entalados” em alguma manobra mais apertada. Já na praia fluvial, espaço não falta e fui até informado pelo posto de turismo em Macedo de Cavaleiros que a pernoita é permitida aos autocaravanistas nos parques junto ás várias praias fluviais. O restaurante referenciado é bastante bom, não faltando a boa Posta Mirandesa na Brasa ou o Pudim de Castanhas.

O parque de campismo do Inatel de Bragança é extremamente simples. No entanto, todos os equipamentos são novos e estão rigorosamente limpos e dispõe de uma excelente AS para autocaravanas. De frisar que o enquadramento paisagístico do parque é de sonho, atravessado por um rio de águas cristalinas a convidar a uns bons banhos.

Gastos:

  • Parque de Campismo em Mirandela 21,00€

  • Restaurante 14,00€

  • Casa do Careto 1,00€

Podence

 

 

 

Casa do Careto em Podence 

Praia Fluvial da Fraga da Pegada, de aproveitar

 

DIA 4 - 0 km

Depois do pequeno-almoço, apanhei um taxi para Bragança. A parte da manhã foi para uma visita ao sempre útil posto de turismo e para um passeio pelo centro da cidade e umas compras. Depois do almoço no restaurante Real Feitoria, foi altura de dar “corda aos sapatos” para a devida exploração da zona histórica. Visitei o Castelo, que tem integrado um Museu Militar, percorri toda a extensão das belas muralhas da antiga cidadela (que proporcionam umas vistas espectaculares) e por fim uma ida ao Museu Ibérico da Máscara e do Traje, que vale bem o tempo despendido. Por volta das 18h foi altura de rumar de volta ao parque para aproveitar o refrescante fim de tarde e a beleza natural do parque de campismo.

Notas: Para estacionar a autocaravana em Bragança, existe um bom parque de estacionamento dentro das muralhas, junto ao castelo. O restaurante referenciado satisfaz, apenas peca pela escolha não muito variada mas a qualidade da comida, o atendimento muito atencioso e o preço final justificam uma nota positiva.

Gastos:

  • Taxi (ida e volta) 14,00€

  • Restaurante 15,00€

  • Museu Militar + Castelo 2,00€

  • Museu Ibérico da Máscara e do Traje 1,00€

 

Zona circundante ao Castelo de Bragança

 

Centro Histórico de Bragança

 

DIA 5 - 40 km

Este dia foi destinado a Vinhais. Pelas 10h parti em direcção a Vinhais e fiquei de tal maneira deslumbrado com a beleza natural da Serra de Montesinho que demorei mais de 1 hora para percorrer os 40km que tinha de conduzir. Vale a pena parar nos vários “miradouros” ao longo da estrada para se observar com calma as paisagens deslumbrantes que esta serra tem para nos oferecer. Chegado a Vinhais quase à hora de almoço, dirigi-me ao Posto de Turismo para algumas informações e aproveitei ainda para ir ao «Espaço Internet», para algumas consultas pessoais. Depois do almoço no restaurante Delfim, comecei então a percorrer Vinhais com olhos de ver, com especial atenção para a zona histórica. Esta é efectivamente uma localidade muito agradável e bem cuidada. Por volta das 15h decidi-me em ir ver o Parque Biológico de Vinhais, o que se mostrou ser uma excelente escolha. Este parque recem-criado tem uma quantidade interessante de espécies animais como águias, perdizes, mochos, gado bovino e caprino de várias raças, javalis, gamos e até burros de raça Transmontana. É muito bom e vale a visita, pois além do atrás mencionado, tem um óptimo parque de merendas e ainda um parque de campismo rural. Aproveitei e acabei por pernoitar neste parque.

Notas: Para ver e aproveitar bem a Serra de Montesinho leve muito tempo para poder parar e apreciar a paisagem fascinante tipicamente Transmontana. Em Vinhais existe um largo bem espaçoso para estacionar, para quem vem de Bragança fica um pouco depois de passar o posto de turismo, do lado esquerdo. O Parque Biológico de Vinhais fica a uns 5 minutos de carro de Vinhais, facilmente se lá chega seguindo as placas. A envolvencia é deslumbrante e para quem ficar no parque de campismo oferecem uma entrada no Parque Biológico.

Gastos:

  • Parque de Campismo Inatel 14,00€

  • Restaurante 12,00€

  • Parque de Campismo Rural 9,00€

 

Vinhais, vila bastante bonita

Parque Biológico de Vinhais, a merecer a visita e pernoita

   

 

DIA 6 - 58 km

 

Depois de me levantar, a parte da manhã foi para fazer o percurso entre Vinhais e Rio de Onor. 58km feitos com bastante lentidão e algumas paragens pelo caminho, para poder apreciar ao máximo as belas paisagens. Chegado a Rio de Onor e não havendo lá nenhum restaurante (apenas 3 cafés), almocei na Vermelhinha e depois foi então altura de explorar esta aldeia. Estando bastante parecida com o que era originalmente, o turismo aqui não desfalcou a “cara da aldeia”. Com algumas casas magistralmente reconstruídas, algumas bem conservadas e muitas abandonadas, passear pelas ruelas de Rio de Onor é voltar ao passado e o cheirar constantemente a lenha queimada faz lembrar outros tempos bem dificeis… . Como não estava com vontade de dali sair, acabei por lá pernoitar, num largo bem espaçoso mesmo em frente ao Parque de Campismo Rural e com um riacho como companhia, para embalar o sono.

Notas: O Parque de Campismo Rural de Rio de Onor não é compatível para autocaravanas ou mesmo caravanas. O dito “parque” resume-se a uns socalcos onde dificilmente se conseguirá sequer montar uma tenda sem ficar inclinada… . No entanto, mesmo em frente existe um largo de estacionamento com mesas de pic-nic, muito espaçoso e plano. Se quiser almoçar num restaurante, fui aconselhado a ir ao restaurante Careto, em Varge.

Gastos: Teoricamente sem gastos, os efectuados com combustível e comida na autovivenda entram nas “contas finais”.

 


Rio de Onor, um Portugal profundo, esquecido mas sobretudo encantador

Paragens de autocarro de outros tempos ainda a serem usadas...

 

 

DIA 7 - 94 km

Depois do pequeno-almoço, fiz-me à estrada. Sendo o destino Miranda do Douro, parei para almoçar em Vimioso. Vimioso em si não tem muito que ver mas em contrapartida, valeu bem a paragem pelo almoço divinal que comi no restaurante A Vileira. Depois de uma boa sesta à sombra de um jardim, continuei caminho até Miranda do Douro. Depois de devidamente instalado no Parque de Campismo Municipal, fui a pé até ao centro, onde tirei algumas informações no posto de turismo e onde visitei parte da zona histórica, que vale bem a pena explorar com detalhe.

Notas: Estacionar a autocaravana em Vimioso não é muito complicado, desde que se fique logo pela avenida à entrada da localidade. O restaurante mencionado está inserido numa unidade hoteleira (uma albergaria) e à primeira vista pensa-se “vou pagar bem e não comer nada de jeito”. Puro engano! A comida é muito bem confeccionada e em doses fartas, não faltando sequer os “pedidos” dos empregados para repetirmos sem pagar mais por isso. A simpatia dos empregados e a eficiência são esmeradas, vale bem o dinheiro que se gasta! Em Miranda do Douro vale a pena “dar corda aos pés” e andar nas muralhas, muita atenção com as crianças! O parque de campismo merece nota mediana, as casas de banho poderiam ser mais bem conservadas, vale pelo preço em conta e pela proximidade do centro de Miranda do Douro.  

Gastos:

  • Restaurante 22,00€

 

Vimioso

Vimioso

 
 

 

DIA 8 - 0 km

 

Depois do pequeno-almoço, fui para Miranda do Douro, localidade para a qual estava destinado o dia inteiro. Comecei por ver o Museu da Terra de Miranda, deveras interessante, a mostrar todas as actividades principais e tradicionais típicas da região, para ver com calma. Depois do almoço no restaurante Mirandes e da devida sesta (o calor apertava e bem…) fui a pé até ao cais fluvial de onde parte a excursão de barco que faz os passeios pelo Douro. Uma hora de passeio admirando as belíssimas paisagens Portuguesas e Espanholas (com o devido acompanhamento de uma bióloga) mais uma prova de Vinho do Porto (branco e tinto) e ainda uma demonstração em voo livre de uma Coruja Real é o que o programa propõe, tendo garantido uma hora e meia de entretém  interessante e instrutivo. No fim disto tudo foi hora de voltar para o parque de campismo, a pé… .

Notas: Vale bem a visita ao Museu da Terra de Miranda, especialmente para os mais idosos ou para os mais novos. O restaurante referenciado é bastante bom, com uma óptima relação entre ambiente/culinária/preço. No meu caso pessoal fui a pé até ao cais fluvial mas atenção que a altitude acumulada é imensa, à primeira vista não parece mas custa fazer a pé! Tanto em Miranda do Douro como no cais fluvial não falta espaço para estacionar uma autocaravana.

Gastos:

  • Restaurante 18,50€

  • Passeio de Barco 14,00€

  • Museu da Terra de Miranda grátis, por ser Domingo de manhã.

 

 

Miranda do Douro a merecer visita demorada

Rio Douro visto de outra perspetiva, num agradável passeio de barco

 

DIA 9 - 50 km

 

O dia começou com uma visita ao «Espaço Internet» em Miranda, para depois rumar a Sendim, onde iria almoçar. Ainda aproveitei um improviso e passei por Freixiosa, uma aldeia fabulosa, por ser autentica e como tal, nada virada para o turismo, onde é possível admirar os muretes de pedra a separar os quintais e hortas e ver burros amarrados aos postes e portas de casas. Depois do almoço no restaurante Gabriela (em Sendim) e da inevitável sesta, rumei para Mogadouro, para o Parque Municipal de Campismo. Ainda aproveitei para ir ao posto de turismo e tirar algumas informações para o dia seguinte. 

Notas: Na Aldeia da Freixiosa, não se pode passar com uma autocaravana para além do largo principal, tal é o aperto das ruas e ruelas. Sendim não tem quase nada que ver mas em contrapartida, garanto uma excelente Posta Mirandesa no restaurante referenciado, de comer e chorar por mais! Recomendo estacionar em frente aos Bombeiros de Sendim, com muito espaço.  O Parque de Campismo em Mogadouro é muito bom, com alvéolos bem demarcados, espaçosos e planos e umas instalações de apoio recentes e muito asseadas.

Gastos:

  • Parque de Campismo Municipal de Miranda 13,00€

  • Restaurante 18,50€

Freixiosa, uma aldeia puramente genuína

Vantagens de uma AV é chegar a locais como este (Freixiosa)

 

DIA 10 - 0 km

 

Depois de uma noite com boa chuvada, o dia acordou um pouco ameaçador mas como viajante não deve ter medo da chuva, lá fui visitar Mogadouro. Comecei obviamente pela parte histórica, onde existem muitas casas em pedra com muitas histórias para contar e com um belo castelo que, apesar de estar em ruínas, tem o seu quê de romantico. Antes do almoço ainda houve tempo para ir ao «Espaço Internet», um serviço que felizmente é muito disponibilizado na maioria nos Municípios. Depois do almoço no restaurante Estoril, aproveitei para desfrutar de um bom passeio nos belos jardins da vila, que estão muito bem cuidados. Toda a parte nova da vila tem um ar muito florido. Também fui visitar o Museu de Arqueologia, com achados arqueológicos só da zona do concelho e arredores, interessante e grátis. O resto da tarde foi para apanhar um bom sol (o tempo lá foi amigo…) e descansar no parque de campismo com uma boa leitura á mistura.

Notas: Mogadouro vale a visita, é uma vila muito simpática, sentimo-nos bem. O restaurante referenciado é bom e apresenta pratos regionais com sabor a comida caseira. Pelo preço e dimensão das doses, duvido seriamente que se arranje melhor, muito em conta. Uma chamada de atenção para algo que tenho vindo a notar: os cães nortenhos são de uma antipatia terrível e em Mogadouro há muitos… . 

Gastos:

  • Restaurante 10,00€

 

Castelo de Mogadouro a providenciar vistas fabulosas

 

 

 

Quem gostar de jardins, em Mogadouro sente-se em casa

Centro Histórico de Freixo de Espada à Cinta

 

 

DIA 11 - 70 km

Depois do pequeno-almoço, rumei em direcção a Freixo de Espada à Cinta. Depois de estacionar num largo perto do Santa Casa da Misericórdia, fui ao posto de turismo e de seguida procurar um restaurante, tendo a escolha recaído sobre o Cabana. Depois do almoço foi então altura de explorar um pouco dos arredores e como tal, peguei na Vermelhinha e fiz uns 12km na estrada que leva para Barca Alva, sempre junto ao Douro e das vinhas tão tipicas desta região. Um passeio a não perder, lindissimo. Depois de voltar a Freixo fui visitar toda a parte histórica, onde se pode ver a belissima Igreja Matriz e subir á Torre de Menagem. Começaram neste dia os festejos da vila e acabei por ir ver a Procissão de Nª Sra dos Montes Ermos, onde a Imagem é trazida da sua capelinha para a Igreja Matriz. O melhor sitio para ver a procissão é junto à ponte romana.

Notas: Para estacionar uma AC em Freixo de Espada à Cinta o lugar mais indicado é junto ao Auditório, por ser onde há mais espaço, além de ser muito central. O restaurante referenciado não é nada de especial, tendo a culinária de qualquer restaurante. No entanto, é muito barato e apesar de simples, a comida é bem confeccionada.

Gastos:

  • Restaurante 6,00€

  • Parque de Campismo de Mogadouro 16,00€

 

 

Igreja Matriz vista da Torre de Menagem

DIA 12 - 45 km

O dia começou com uma visita ao miradouro de Penedo Durão. A não perder, visto ser mesmo do alto que se veem os campos com as suas extensas vinhas, bem como o Douro e toda a paisagem circundante. Estamos tão altos que os abutres voam á nossa frente, num espectáculo a não perder. De seguida começou a aventura de ir para Torre de Moncorvo. Porquê? Porque o GPS por duas vezes me indicou caminhos de terra batida como sendo alcatroados. Resultado: com um pouco de calma e atrevimento embrenhei-me numa paisagem deslumbrante por entre montes, vales e vinhas. Quando não era por estrada de terra batida, era por estradas secundárias que percorrem os vales mais profundos. Demorei praticamente duas horas para percorrer pouco mais de 35km. Chegado a Torre de Moncorvo, dirigi-me ao posto de turismo para as devidas informações e fui almoçar ao restaurante Lagar. De notar que neste restaurante comi a melhor Posta Mirandesa que alguma vez experimentei. Meia posta dá, à vontade, para dois valentes comilões. Lá tive de a comer sózinho. Da parte da tarde foi então altura de visitar a parte histórica de Torre de Moncorvo, com uma Igreja Matriz de ar imponente e bastante bonita por dentro e muitas casas abrasonadas e solares de belas fachadas para admirar. Também visitei o Museu Vinícola e o Museu do Ferro, ambos a valerem a visita, especialmente o vinicola, onde a visita esmeradamente guiada e explicada nos ensina muito. Perto da hora de jantar fui para a AS de autocaravanas existente em Torre de Moncorvo. De notar a excelencia desta AS, com uns WC que até duche têm. Apenas peca por estar um pouco longe do centro da vila.   

 

Rumo ao Miradouro de Penedo Durão (a culpa foi do GPS...)

Miradouro de Penedo Durão, de cortar a respiração

 

Notas: O caminho que percorri para chegar a Torre de Moncorvo NÃO PODE ser feito por autocaravanas. Vantagens de se ter uma autovivenda de chassis alto. Em Torre de Moncorvo não estacionar a autocaravana na AS, se for para de seguida visitar a vila. É que a distancia é maior do que parece… . No entanto, a AS é fabulosa.

Gastos:

  • Restaurante 20,00€

  • Museu Vinicola 1,00€

  • Museu do Ferro 1,00€

 

Torre de Moncorvo, com um certo ar “esmagador”

 

DIA 13 - 60 km

 

Dia destinado a Vila Flor. Depois do pequeno almoço e acompanhando parte do Rio Tua, lá cheguei a Vila Flor. Com uma parte histórica pequena mas muito bonita e com arruamentos muito arranjados, a visita é muito agradável. Depois do almoço no restaurante Pala do Conde, fui ver o miradouro que fica bem lá no alto da vila, junto á capela de Nª Sra. Das Capelinhas. Uma vista deslumbrante. Depois digiri-me ao parque de campismo municipal de Vila Flor mas estava hiper-lotado. Aproveitei então para dar um passeio pelo parque de merendas que está junto à barragem do Peneireiro, muito agradável e com muitas mesas de pedra para pic-nics. Dado o contratempo da pernoita, acabei por voltar para a AS de Torre de Moncorvo.

Notas: O parque de campismo municipal estava com uma lotação excessiva, mais vale esquecer esta hipótese. No entanto, mesmo ao lado está um parque de merendas muito agradável e umas piscinas muito boas. O restaurante referenciado tem alguns pratos tipicos e o atendimento é afável.

Gastos:

  • Restaurante 15,00€

Vila Flor

 

 

DIA 14 - 57 km

De manha parti em direcção a Alfandega da Fé, onde iría passar o dia. O caminho que percorri é lindissimo, com Alfandega da Fé a ficar bem lá em cima, embora assim não o pareça. Sobe-se imenso tempo, sem muita inclinação mas durante muitos kilometros. Isto dá oportunidade de apreciar parsagens lindas e demorei ainda algum tempo pois fiz o caminho todo a velocidade muito baixa e ainda parei umas vezes para apreciar convenientemente o que se vislumbrava à minha frente. Depois de chegado a Alfandega da Fé, um contratempo: a chuva. Começou a chover “a cantaros” e não parecia que fosse parar. Fui almoçar na Estalagem da Sra. Das Neves, uns 10km aseguir a Alfandega da Fé. Quando comecei a almoçar não via mais que uns 20 metros a minha frente mas como S. Pedro foi meu amigo, já comi a sobremesa com uma vista esplendida. O tempo aliviou bastante e o sol brilhou e lá fui explorar Alfandega da Fé. Com bastante movimento e vida, é uma bela localidade. Em termos históricos não tem nada de especial a destacar, apenas algumas capelas e igrejas “da praxe”. No entanto, o moderníssimo centro cultural e o belo parque mesmo no centro da localidade convidam a ficar e assim foi, acabei por pernoitar em Alfandega da Fé, onde ainda aproveitei para ir ver uma sessão de cinema por, imagine-se, 2,50€. 

Notas: A estrada para Alfandega da Fé (de quem vem dos lados de Vila Flor ou Torre de Moncorvo) proporciona uma vista maravilhosa de Trás-os-Montes, para fazer sem pressas. O restaurante referenciado é bastante bom, onde comi um Bacalhau com Pão de Centeio espectacular. No entanto, paga-se um pouco o facto de ser Estalagem e a vista. Estacionar em Alfandega é facílimo, junto ao Centro Cultural, mesmo no centro da localidade, fica-se junto ao jardim e os lugares são espaçosos, embora talvez tenha de se colocar a “cauda” da autocaravana um pouco em cima do passeio, que é larguíssimo… .

Gastos:

  • Restaurante 24,00€
  • Cinema 2,50€

 

Estrada para Alfandega da Fé, para apreciar

Centro de Alfandega da Fé com jardins muito bem cuidados

 

DIA 15 - 140 km

O destino era Carrazeda de Ansiães. No entanto, lá chegado, deparei-me com uma localidade sem vida e nada virada para o turismo, com quase todo o comércio fechado e praticamente nada que ver. Fui então para Foz do Tua, para almoçar. Confesso que fiquei deslumbrado com a vista, já pertencente ao Douro Vinhateiro, com as suas imensas colinas e vales profundos “forrados” a vinhas e alguns olivais. Depois do almoço ainda dei uma volta pela Estação Ferroviária do Tua (ainda bem activa) para relembrar tempos idos. Como ainda sobrava a tarde toda, decidi despedir-me de Trás-os-Montes e atravessei o Douro para o lado sul (sempre muito devagar para ir vendo as paisagens), tendo pernoitado na AS de Freixo de Numão. Ainda houve tempo para visitar um pouco de Freixo de Numão, que garanto, vale bem a pena, a voltar um dia com mais tempo.

Notas: Carrazeda de Ansiães foi uma desilusão, não tem nada para ver. Em contrapartida, se gosta de paisagens bonitas e de serpentear por entre quintas vinhateiras, recomendo muito ir até Foz do Tua. O restaurante referenciado não é nada de espectacular mas come-se bem e o preço está na média. Apenas uma chamada de atenção para as estradas desta zona, são um autentico teste aos travões de qualquer autocaravana, não se deixe entusiasmar com as descidas e mantenha sempre a atenção nas curvas.  A AS de Freixo de Numão é muito boa, onde não faltam WC e elecricidade, por uma taxa fixa de apenas 5€/dia. Caravanas também são permitidas.

Gastos:

  • Restaurante 16,00€
  • Museu da Casa Grande (Freixo de Numão) 2,00€
  • AS de Freixo de Numão 5,00€

 

 

DIA 16 - 410 km

Dia de regresso. Saindo cedo de Freixo de Numão, assim acabaram as férias. Regressei a Loures pelo IP2 em direcção à Guarda e depois apanhando a A23. Ainda aproveitei para almoçar e descansar em Vila Nova da Barquinha, no restaurante Tasquinha da Adélia, boa comida e baratissimo.

 

Gastos:

  • Restaurante 6,50€

 

Não, não é numa aldeia esquecida, é em plena Alfandega da Fé

Estação do Tua ainda em funcionamento, a fazer lembrar tempos idos

 

Freixo de Numão é bastante bonito

 

 

Apreciação final: O Nordeste Transmontano é uma região lindissima. É das zonas mais antigas de Portugal e isso sente-se. Casas abrasonadas em grande quantidade e um estilo de construção firme e maciço que aguenta o passar dos séculos da História Portuguesa. Fruto do isolamento fisico que durou até à poucos anos, as gentes desta região parecem muito fechadas mas com um pouco de paciência, ganha-se a sua confiança e sente-se que são “amigos para a vida”. Em termos de natureza, poucos lugares há-de haver onde ainda não se sente a “mão humana” como em Trás-os-Montes. Aqui, o homem adaptou-se à natureza e não o contrário. Sentimo-nos perfeitamente integrados e ao mesmo tempo esmagados, pois aqui quem dita as leis é a Terra. A beleza natural, especialmente mais a norte no Parque Natural da Serra de Montesinho, é ao mesmo tempo bruta e graciosa e não apetece sair de lá nunca mais. Ficam muitas saudades desta região no meu coração e especialmente, a promessa de voltar um dia.

 

Contas feitas (valores aproximados): 

  • Kilometros percorridos: 1534Km

  • Combustível: 108 litros / 145,00€

  • Restaurantes: 237,50€

  • Estadias: 78,00€

  • Alimentação na autovivenda: +/- 90,00€

  • Museus e outros locais culturais: 24,50€

  • Total gasto: 575,00€

Boa viagem J

 

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