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Croácia 2008 José Caseiro, 24 de Julho a 21 de Agosto de 2008
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Esta era uma viagem já pensada desde o ano anterior. Por isso, ao longo do ano, fomos recolhendo informações, contactando embaixadas, lendo relatos de outros viajantes, sobretudo espanhóis e franceses, para programarmos parques de campismo, estacionamentos e etapas mais aconselháveis. Não conseguimos sistematizar, nem partilhar, toda a informação porque uma partida antecipada nos fez sair um pouco de improviso. Quem tem filhos e afazeres profissionais… Tínhamos três datas para a saída: 24 de Julho, 1 de Agosto ou 8 de Agosto. Quiseram as circunstâncias que fôssemos a 24 de Julho, de modo que, na véspera, foi aquela azáfama que todos conhecemos de bagagens, víveres, arrumações e preparativos gerais. Igualmente, é o dia do “bichinho” a roer-nos cá dentro, entre a excitação de uma nova e longa viagem e alguma inquietação, também… A “Juliette”, a nossa AV, estava também pronta. Saída da revisão para mudança dos fluidos internos e, revista no geral, era só “dar à chave” e partir. A ideia era ligar Aveiro a Turim, passar aí algum (curto) tempo com um familiar, seguir para Veneza, daí para Liubliana, na Eslovénia, e descer para os lagos de Plitvice já na Croácia. Dali para Zadar e, depois desta cidade, ir continuando até Dubrovnick e Korcula com uma passagem por Mostar, na República da Bósnia-Herzegovina. Se houvesse vontade e tempo, talvez uma incursão a Kotor, no Montenegro. Como tínhamos que estar em Bergamo, Itália, a 15 de Agosto, sem falta, houve que fazer alguma gestão do tempo, doseando descanso e viagem. No regresso passar novamente uns dias em Turim e voltar para casa para ainda aproveitar o resto do mês noutras saídas e numa ou outra tarefa de férias. Com apenas um mês de descanso, há que aproveitar.
Impressão geral sobre a viagem A Itália já todos conhecemos mais ou menos e sabemos como é…Da Eslovénia guardo uma excelente impressão pela beleza serena das coisas, da limpeza, do verde dos seus campos e florestas, da vida calma e relaxada das pessoas, da ordem do trânsito, do aproveitamento que fizeram dos euros da EU. Pelo que vi e senti, parece-me um país de futuro risonho tal a vontade das pessoas de fazer bem, sem desperdícios nem sumptuário como aconteceu aqui. Porque será que com os financiamentos da pré-adesão e os da adesão conseguiram, em meia dúzia de anos, alcançar um lugar invejável no ranking europeu? E nós…com 22 anos de adesão? …É o que se vê… Da Croácia tenho várias impressões. A primeira é sobre a existência de “várias Croácias”: a península da Ístria, a norte, é quase como a Itália, com muitos habitantes bilingues (inclusive nos nomes das ruas e das localidades). O estilo de construção é muito semelhante e a culinária, vinhos e, parece-me até, muitos hábitos locais são de raiz italiana. A segunda é a Croácia do interior, não me referindo à Eslavónia. Aí, creio estar a verdadeira Croácia, de raiz eslava/balcânica, com gente mais reservada e menos comunicativa. A terceira, a Croácia turística, que se espalha ao longo da costa adriática. Aqui, salvo melhor comparação, parece viver-se o Algarve dos anos 80: tudo sempre cheio, filas para tudo, estacionamento impossível em qualquer lugar (mesmo a pagar bem há dificuldade), trânsito e construção caóticos e, sobretudo, a ânsia de facturar por tudo por nada. O lema de vida daquelas pessoas, no Verão, deve ser: “Se é turista, paga!” É claro que também encontrei excelentes pessoas, simpáticas, prestáveis, com quem troco e-mails de vez em quando e de quem guardo excelentes lembranças Da Bósnia-Herzegovina trouxe a imagem de um país mais pobre, de gente triste, com alguns sinais de progresso em relação à dramática e sanguinária história recente, mas com um longo caminho a percorrer para a felicidade das pessoas. Como impressão geral, direi que valeu bem a pena: pela viagem em si (os meus amigos dizem que tenho “alma de camionista”), pelas paisagens maravilhosas, pela monumentalidade de algumas cidades, pelas pessoas que encontrei, pelas praias e pela água do Adriático, pelo sentimento de segurança que nunca foi posto à prova, pela excelente companhia da minha esposa. É certo que mais tarde ou mais cedo voltaremos à Croácia. Peço desde já desculpa por algumas imprecisões de GPS ou até falta de informação mas…esqueci-me de tomas as devidas notas. Mas estou disponível para qualquer informação complementar. As fotos não serão as mais significativas. “Tirei” cerca de 1300 fotos. Estas são as possíveis.
Vamos ao relato... |
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Aveiro - Aranda de Duero – 536km
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Depois de encher o depósito, saída em direcção a Viseu. Breve despedida a familiares (1 hora) e continuação até Vilar Formoso. Paragem para um café e de novo à estrada. Viagem sem história até Aranda de Duero, passando pela periferia de Valladolid. Foi fácil descortinar a Área de Serviço, ao fundo de uma rua, num descampado junto a uma estação de caminhos-de-ferro. Chegada por volta das 22horas. Na área de serviço encontrava-se uma AC espanhola que nos fez companhia numa noite estrelada, com uma agradável brisa e um silêncio a convidar ao descanso. Foi o que fizemos. Noite tranquila, sem qualquer barulho incomodativo e em segurança.
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Aranda de Duero - Villeneuve les Béziers – 858km
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Saída às 8h e 30min depois de um despejo de águas cinzentas. Água tinha reposto na véspera. Paragem numa estação de serviço Repsol para procurar substituir uma das botijas de gás (6kg). Infelizmente já não há destas botijas em Portugal pelo que era preciso ir procurando enquanto atravessávamos a Espanha. A primeira tentativa foi negativa mas aproveitámos para repor combustível. De novo à estrada em Direcção a Saragoça e depois Barcelona. Era um dia para fazer quilómetros pelo que fomos doseando as paragens, aproveitando para desentorpecer e procurar a tal botija em todas as estações Repsol que encontrávamos. Entre Aranda e Saragoça a estrada percorre um alti-plano às vezes arborizado outras quase desértico. Algum trânsito de camiões na proximidade dos grandes centros não impede a fluidez do tráfego. Apenas à entrada de Saragoça (que pena não podermos visitar a Expo…) notámos algum abrandamento do trânsito. Entretanto, e para desespero nosso, avistámos as ditas botijas numa estação de serviço…do outro lado da auto-estrada. Lenta e com paragens em filas compactas foi a travessia da periferia de Barcelona. Como era sexta-feira, receávamos que houvesse alguma morosidade para atingir a fronteira francesa, o que se verificou em parte pois rolámos sempre em velocidade reduzida (70/80). Porém, uma vez entrados em França as coisas compuseram-se e pudemos recuperar algum tempo.
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Na nossa preparação da viagem tínhamos determinado que por alturas de Montpellier faríamos a nossa paragem do dia. Consultado o guia das áreas de serviço e campings franceses optámos por procurar um camping em Villeneuve les Béziers por ser relativamente próximo de uma saída da auto-estrada. A escolha acabou por ser “Les Berges du Canal” (GPS: N46º 7' 22" / E2º 40' 19"). Surpresa: não cabia nem mais um!! Solução da recepcionista: “…fiquem por aí junto ao Canal du Midi que ninguém vos incomoda e o sítio é calmo”. Assim fizemos e estacionámos onde nos pareceu melhor. Depois do banho, do jantar, e porque ao longe se ouvia uma música convidativa, resolvemos dar um passeio ao longo do canal até ao centro da vila, coisa de uns 5 minutos a pé, observando as pequenas esplanadas de restaurantes e bares sobre a água e os “bateaux-mouche”, cada qual com o seu estilo: terraços floridos, estendais de roupa a secar, espreguiçadeiras, grelhadores... |
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Afinal, havia um festival de música “country”, razão de se ver tanta gente vestida à cowboy e a dançar algumas coreografias da dita música. Também havia um bar abarracado… e uma caneca de cerveja soube mesmo bem para relaxar. Assistida à actuação da estrela country “vinda directamente da América”, segundo o speaker de serviço, recolhemos à caminha, que o dia foi longo e cansativo. Noite tranquila entre outras ACs que, como nós, tiveram que ficar, em fila, na margem do canal. Boa noite!
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Villeneuve les Béziers – Turim - 623km
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Do alto da “Juliette” vamos apreciando a paisagem do Languedoc e da Provence, tipicamente mediterrânica a fazer lembrar em alguns trechos o Algarve. Ficará para outra altura, uma incursão turística na pátria poética das nossas cantigas de amor medievais: “Pro(v)ençais soem muy ben tro(v)ar” dizia o nosso rei-poeta-agricultor D. Dinis. Aqui e ali grandes pomares e nalgumas áreas de serviço há venda ambulante de fruta da região( cooperativa “Les fruits du midi). Todos sabemos como os franceses têm jeito para vender os produtos do “terroir” e pensamos muitas vezes por que é que nas nossas áreas de serviço também não fazem o mesmo. Sempre se divulgavam e vendiam alguns produtos regionais, apenas e obrigatoriamente regionais, não os importados. À medida que flectimos para NE a paisagem muda e voltam os prados, as quintas, mas também os pomares e a agricultura de regadio. Não se vêm campos incultos nem mal tratados. Meu Deus!! Um tráfego horrível!! Parece que toda a França se desloca para Sul. Felizmente vamos para Norte. Pela rádio vamos acompanhando as notícias sobre o trânsito. Engarrafamentos monstros em Lyon, dizia a rádio, e longas paragens noutras auto-estradas, inclusive na zona de Montélimar e Valence, na A7, por onde nos deslocávamos no sentido S/N. Assim aconteceu. Ali chegados, entrámos no pára-arranca durante uns quilómetros até que a coisa se resolveu. Enfim, do mal o menos, pois do outro lado da A7 a coisa estava bem pior, com filas de 20kms. Feitas as paragens necessárias para repouso e comida, já perto de Grenoble encontrámos um emigrante, patrício de Braga, que, na fila da portagem, nos perguntou para onde íamos. “ Croácia? Ah, oui, la Croatie!” Contente, porque viria à terra, “là-bas”, na semana seguinte, o que não acontecia há dois anos. Até ali tínhamos passado por longos e bem tratados pomares de nogueiras, de macieiras, as vinhas e os milheirais. Dá gosto ver… Atravessada Grenoble, “aproámos” ao túnel de Fréjus para alcançar mais rapidamente a Itália, e Turim, que era o objectivo do dia. Doeu ter que pagar 44€ de portagem no túnel mas a travessia dos Alpes fez-se assim sem canseira nem sobressaltos embora, já no lado italiano as descidas até ao vale de Susa sejam, algumas, arrepiantes. Bonitas paisagens, sem dúvida. Um aparte: não gosto definitivamente de túneis. Este de Fréjus é bem iluminado e largo, com muita vigilância e segurança, nada a ver com os da Noruega que são estreitos, húmidos, escorregadios e mal iluminados. Não se percebe como um país (A Noruega) tão rico, tem tais túneis e estradas. Enfim…deve ser da tradição forreta dos noruegueses. Posto o TomTom a funcionar entrámos em Turim e fomos direitinhos à residência do nosso familiar. Depois de algumas acrobacias para estacionar a Juliette num pátio interior (por exemplo passar um túnel em marcha-atrás com dois dedos de distância entre os espelhos e a parede) foi tempo de beijos e abraços. Vamos ficar a noite de Sábado, Domingo e sair na Segunda de manhã. Como isto é assunto de família, interrompo aqui a narração deixando apenas algumas notas sobre Turim.
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Em Turim, centro cultural e industrial de peso, uma das capitais da moda, com imensas livrarias, teatros, cafés clássicos, palácios reais dos Sabóia, 48 templos religiosos, capital dos Jogos Olímpicos de Inverno em 2006 e Capital Mundial do Design em 2008, vale a pena visitar o Museu do Cinema e fazer uma viagem desde os primórdios dos desenhos animados, das imagens estáticas e as projecções fixas do séc. XVIII até ao moderno cinema. Turim e o Piemonte foram o berço do cinema italiano e têm um lugar marcante na história do cinema mundial, não esqueçamos. Quem for cinéfilo encontra ali muito com que se entreter. Pode também subir à cúpula da Mole (no mesmo edifício) e ter uma vista soberba sobre a cidade. O Museu Egípcio é, em minha opinião, dos melhores que vi, pois é muito completo e sobretudo muito didáctico. Por ali perto pode encontra-se estacionamento no Jardim Real, bem no centro da cidade multicultural, cujo centro se pode percorrer sempre sob arcadas de edifícios neoclássicos, barrocos, de arte nova. Para pernoitar sugiro a Área de Serviço para ACs (“area attrezzatta” na Via T. Agudio, junto à estação para a Basílica de Superga, que vale a pena visitar e ter, também, das melhores vistas sobre a cidade). Até Segunda! |
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Turim (centro) - Veneza (Mestre- San Giuliano) - 411km
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Feitas as despedidas, com a ajuda do TomTom voltámos à estrada, melhor, auto-estrada Turim-Milão-Veneza. Nos arredores de Milão os engarrafamentos do costume e as filas para o pagamento das portagens. A cena voltaria a repetir-se por alturas de Brescia, Verona, Vicenza…ai que saudades da Via Verde!! A viagem foi mesmo de “rota batida”, com uma paragem para abastecimento e uma “estória para contar”. Aí vai. Meto combustível, pago com cartão e, já fora da loja, reparo que me debitaram 15 euros a mais (75 por 60€). Volto atrás e, no meu melhor italiano, desfaço o engano. Contrariado e de má-vontade, o patrão dá-me da sua carteira os 15 euros de retorno, sem uma desculpa e resmunga qualquer coisa sobre o cartão. Em Itália, olho nos recibos!! Continuada a viagem resolvemos estacionar em S. Giuliano, Mestre, à esquerda da Ponte della Libertá. As coordenadas que apresento são do Google, pois esqueço-me com frequência de tirar a coordenadas quando chego ou parto…Aqui estão. N45º 28’ 01’’, E12º 16’ 45’’ e o custo 4€ por 24h. Uma vez que o parque era vigiado, tinha bastantes AC e nos pareceu razoável, decidimos ir à procura de transporte para Veneza dado que era cedo. Saímos quase de imediato num “vaporetto”, duas pessoas por 30€,, ida e volta. Pessoal nada simpático, diga-se. Uma vez desembarcados em Veneza, em Cannareggio seguimos a corrente humana até à Ponte Rialto e à Praça S. Marcos, fazendo os pontos mais turísticos e repletos de gente. Veneza é uma Babel de línguas e pessoas, como sabem. Por ali andámos toda a tarde, não ousando entrar nos monumentos tais eram as filas de espera, apinhadas de japoneses, árabes e turistas do Leste europeu. Além disso, o calor não convidava a estar parado ao sol.
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Não vou fazer uma descrição de Veneza, que toda a gente conhece, pelo menos da televisão, dos filmes, das fotografias. Por isso não foi uma inteira surpresa. Tivemos até a sensação que tudo nos era familiar e era apenas a sensação de estar lá. Depois de um curto passeio pelas ruas secundárias, bem mais baratas e sossegadas, aterrámos numa esplanada de um bar simpático, gerido por gente nova, para provar uns gelados e uma beber uma Moretti. O bar, situado junto a uma das muitas pontes, tinha um letreiro curioso em letras garrafais: pedia-se aos clientes que não se sentassem nos degraus da ponte com as bebidas nem passassem com as ditas para lá dos limites contratualizados com a Câmara. Havia, de facto, um traço azul no chão. Esse ano já tinha pago 30 multas!!! O senhor que nos serviu questionou, sarcástico, a razão de serem tão condescendentes com os vendedores ambulantes e as tendas “plantadas” caoticamente nos passeios, nas ruas, em frente aos estabelecimentos e até aos monumentos históricos e tão rigorosos com os bares… e tinha inteira razão, são uma praga, os vendedores de “recuerdos” atamancados e tão pouco genuínos, do chinês ao peruano, do indiano ao romeno!
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Regressámos ao estacionamento, em Mestre, no último transporte, fizemos um jantarinho e descansámos da jornada. Noite tranquila, entrecortada pelos latidos de um cão espanhol de uma AC vizinha. “Ay perrito, porqué no te callas???”
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Veneza (Mestre- San Giuliano) – Liubliana 280km
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De
novo na estrada, parámos em Duino, já perto de Trieste, para meter
combustível. Uma vez passada Trieste rumámos à Eslovénia. Na estação
de serviço de Duino um placard avisava que desde 1 de Julho era
obrigatória a compra de uma vinheta para circulação em auto-estradas
eslovenas e que poderia ser comprada ali ou na fronteira eslovena.
Optámos pela compra na fronteira. Ali, uma simpática loira ficou-nos
com 35€ pelo quadradinho de papel verde, válido até 31 de Dezembro.
Custou… Para nos refazer do susto parámos na área de serviço da AE, muito limpa e com AS gratuita para ACs. Aproveitámos para repor águas e fazer os despejos. Á água era excelente e, depois de perguntarmos pela sua potabilidade, (“podem beber à vontade, disse a funcionária”) enchemos umas garrafas, e comemos um lanchinho, tal como outra gente (alemães, holandeses, austríacos e os checos já se faziam notar). Chegados a Liubliana, estacionámos junto a uma esquadra de Polícia, pagando o respectivo bilhete. Já agora, atenção aos fiscais do estacionamento e aos atrasos na reposição de outro bilhete, se for o caso. São muitos e não perdoam. Fotografam o carro e o bilhete se estiver fora de prazo, bloqueando as viaturas.
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Estacionados, partimos para o centro da cidade (classificado como património mundial pela UNESCO), a 200m, e desfrutámos de uma cidade limpa, ordenada, com um trânsito sem pressas nem stresses. As pessoas pareceram-nos igualmente tranquilas. Percorremos passeio na marginal do rio nos dois sentidos, andámos pelas Três Pontes, pelo Mercado, pelas ruas Arte Nova e subimos ao Castelo no comboio turístico. Refrescámo-nos no chuveirinho da instalação arquitectónica na praça central, em frente à estátua do poeta Prešeren e da sua musa, junto ao rio Liublianica.(ver imagem). Apreciámos o artesanato, as montras com produtos locais, as esculturas de rua, as muitas iconografias do dragão, o símbolo da cidade. Lanchámos numa esplanada do Clube de Jazz (umas excelentes e grandes tostas mistas mais bebidas 10€) em frente ao Museu Nacional e sentimos um pouco o fluir e o pulsar de uma cidade muito florida que nos agradou bastante, com moderno e interessante mobiliário urbano, harmoniosamente casado com o passado histórico. A Eslovénia é um caso de sucesso na União. |
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Pelas 17h recolhemos ao resort Luna, fora da cidade (8 Km, aproximadamente), na margem do rio Sava, onde ocupámos um dos últimos lugares disponíves que, por sinal, ficava perto da AS de ACs, mas era tranquilo e com sombras. Por 30€ dia, tivemos direito às múltiplas piscinas, jacuzzis, uma sessão de aeróbica… cadeiras, música e tudo incluido. Dispensámos a aeróbica e as massagens, mas aproveitámos longamente as piscinas ao ar livre, o jacuzzi, as cadeiras de repouso e o bar. Nas piscinas encontrámos uns patrícios de Coimbra, atletas veteranos, que disputavam um campeonato de atletismo da categoria a decorrer em Liubliana. Noite tranquila ajudada pelas banhocas e pelo jacuzzi e pela boa cerveja no bar nocturno, ao ar livre, com música ao vivo e famílias que dançavam, as jovens e as senhoras maquilhadas e aperaltadas como se fossem para o mais elegante dos eventos sociais. A vizinhança era simpática: uma família de holandeses que costumavam ali passar uns dias, todos os anos…. E as damas de países de leste, já entradotas, passeando-se descontraidamente em soutiens de copas rendadas do tempo das avozinhas. Um “must”; aliás, o mesmo veria na Croácia: é que quando o calor aperta…até a blusa se desaperta!
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Liubliana – Autocamp Korana (Lagos de Plitvice – Croácia) - 205km
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Acordámos tarde e aproveitámos as facilidades do Camping: banho mais demorado, pequeno-almoço tranquilo e relaxado e vagares na arrumação das tralhas. Saídos do Camping tomámos o caminho de Novo Mésto próximo da fronteira croata em direcção aos Lagos. A Eslovénia é um país muito arborizado, de grandes espaços abertos, colinas suaves e verdes, pelo menos nesta parte do país. Fora da capital o trânsito era reduzido pelo que aproveitámos para desfrutar, parando aqui e ali para uma fotografia ou fixar visualmente um pormenor. Surpreenderam-nos as quintas mais próximas da estrada pela sua arrumação e asseio. Nada de confusões: os tractores arrumados, os celeiros fechados, os animais recolhidos…nem uma palha fora do sítio. E depois, o verde, as flores, os campos agricultados, os pomares, as florestas, tudo “postal ilustrado”. Gostámos. E gostámos sobretudo dos palheiros ou sequeiros todos em madeira, feitos em varais com uns telhados próprios trabalhados a rigor.
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Chegados a Novo Mesto, estacionámos perto do centro e percorremos a pé o caminho ascendente até ao castelo, hoje uma igreja. Tomadas as vistas, visitámos a cripta dessa igreja , a qual remonta ao séc. XII, e que possui um retábulo interessante. Passámos pelo mercado, tomámos café numa esplanada e entrámos na igreja matriz, exemplar com alguns vitrais, um cadeiral oitocentisa e, numa ala lateral uma imagem do Stº António que nos impressionou pela sua expressão. Entrámos e saímos, sempre sozinhos e sempre à vontade. Um povo confiante, pois… Nos arredorese a 2km da fronteira croata parámos num Supermercado Spar e abastecemo-nos de alguns produtos em falta, a preços razoáveis. Aproveitei para comprar frutas nacionais (as maçãs eslovenas são imperdíveis, cruas ou secas, sim, secas tal como figos…muito boas!), algumas garrafas de vinho esloveno dando preferência às castas regionais, com sugestões do funcionário de serviço. Preços aceitáveis. (Algumas já provei…e gostei). Já agora, informo que gosto de vinho. Bebo com moderação…e pouco. Não sou perito (escanção ou enólogo) mas gosto de branco ou tinto desde que bom. Por isso e porque sou curioso, gosto e provar “os tintóis” das regiões por onde passo. Saio de Portugal com algumas garrafas e regresso com o triplo das que levo…É uma forma de recordar e conviver…há quem traga outros “recuerdos”…eu trago vinho (e também umas cervejitas)… A minha companheira abastece-se de artesanato, alguns manjares típicos, material escolar e alguns produtos de higiene e “decoração” pessoal, vulgo cosméticos, que nestes países são baratos, em regra. Atravessada fronteira depois de um atento exame pela Carina (tsarina – polícia de fronteiras) dos passaportes e dada uma mirada exterior à Juliette continuámos pelo verde das florestas da região da Crajina, tão martirizada pela guerra civil, parando por momentos em Karlovac para levantar, sem problemas, algumas kunas no Multibanco e fazer um piquenique com os produtos que tínhamos comprado no supermercado: um naco de presunto assado de bradar aos céus pela maravilha gustativa, ainda morno, excelente pão regional e as inesquecíveis fatias de maçã seca. A Crajina foi, como se lembram, das regiões mais atingidas pela guerra. Depois do estalar da guerra foi tomada pelos sérvios para formarem a República Sérvia da Crajina. Para isso expulsaram da região os croatas, provocando um deslocamento interno de largas dezenas de milhar de pessoas. Dois anos depois, num golpe rápido e concertado, os croatas recuperam a região expulsando os sérvios e obrigando por sua vez à deslocação de outras largas dezenas de milhar de sérvios para alguns enclaves na Bósnia e para a Sérvia. O herói desta “reconquista” foi o gen. Ante Gotovina, um herói local ainda retratado em enormes cartazes e outdoors ao longo das estradas da Crajina e da Dalmácia. No presente, o gen. Gotovina encontra-se a aguardar julgamento no tribunal de Haia por crimes de guerra e crimes contra a Humanidade. Faz parte do preço a pagar pela adesão à EU. Prosseguimos depois de Karlovac ; breve paragem imprevista e um passeio a pé num recanto apelativo, calmo e rumorejante, surgido numa curva da estrada, vislumbrado no alto de uma ponte: uma pequena aldeia em anfiteatro no meio do verde, duas pequenas lagoas, quedas de água que atravessavam o rés-do-chão de umas casas em arquitectura típica da zona, antes de se despenharem no rio Slunjicica – Rastok, assim se chama o lugarejo onde uma senhora idosa nos perguntou se éramos “israeli”. (ver imagem).
Israelitas…nós? -Não…”Portugalia”. ”Ah!”, respondeu. Não conseguimos interpretar aquele “ah”. Admiração, desilusão, indiferença…
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Fomos depois, então, em direcção ao Autokamp Korana, a 6 km dos lagos de Plitvice. Escolhido o lugar de pernoita, demos um longo passeio a pé pelo camping (36ha), colhemos amoras silvestres, descansámos na esplanada do bar (caro!), recolhemos informação na recepção e jantámos. O Camping é enorme, tem um terreiro central para ACs, o estacionamento é livre. Em alguns lugares é acidentado com grandes desníveis mas possui restaurante, supermercado, balcão de informações e bar com esplanada. O lugar é aprazível, belíssima paisagem envolvente, com bons sanitários, bungalows, muito espaço e água puríssima que é um consolo beber, como na Croácia em geral. Movimentado até às 21h, depois sossegado. O movimento matinal começa cedo, para evitar o calor do dia e arranjar bons lugares nos parques de estacionamento dos Lagos. Noite tranquila, com muita passarada nocturna nas árvores. (ver imagem)
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Lagos de Plitvice – Camping Filko (sul de Zadar) - 165km
31 de Julho, quinta-feira, 9h Combustível: 0,00€ Portagens: 0,00€ Parqueamento Plitvice: 10,00€ Entrada nos Lagos: 2x30,00€ Camping: 148 kunas (20,56€) Chegada: 18h
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Hora de visitar o Parque Natural e os Lagos, classificados património mundial pela Unesco. Junto ao parque de estacionamento 1 os visitantes começavam concentrar-se tentando encontrar o melhor lugar para estacionar. Nós escolhemos um bem à sombra de modo que assim permanecesse toda a manhã. Pago o bilhete (10€ - na Croácia os euros são uma bem-vindos uma vez que o câmbio lhes é favorável; na Bósnia quase não aceitam a moeda local – a marca- por estar sempre a desvalorizar) atravessámos a estrada pela passagem superior e dirigimo-nos à bilheteira do parque. O bilhete é caro (30€) mas vale a pena. Dos Lagos, o melhor é ir lá em vez de tentar descrevê-los, tarefa impossível esta. O que se pode dizer de vegetação luxuriante, cascatas, águas tão límpidas que os peixes parecem suspensos, da cor das águas, verde, esmeralda, vários tons de azul, tantos matizes de cor que a cada curva dos trilhos há uma paleta de cores à escolha? Melhor é levar uma merenda, embora haja bares e restaurante, parar de vez em quando e respirar, olhar, sentir e, se possível, deixar-se diluir naquela natureza. Alguém disse que Plitvice é a 8ª maravilha do mundo turístico. Opiniões…
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A visita demora o tempo que se quiser conforme a escolha dos trilhos. Levar calçado e roupa apropriados, protector solar e um chapéu para o sol. A visita deve fazer-se de manhã cedo para evitar as multidões (excursões) e o calor do sol. Para regressar ao parque de estacionamento há um transporte que percorre as 4 estações do parque. Encetámos depois viagem até Zadar, primeiro entre florestas e, depois, à medida que nos aproximamos da costa, a planície e o barrocal croata. Nesta viagem de contrastes o que impressiona são algumas aldeias semi-abandondas a média distância das estradas, os telhados por levantar, uma ou outra casa ainda esventrada, os telhados novos e as emendas das paredes, de formato redondo e de material diferente, sinais de obuses . Também os pequenos cemitérios no meio do nada, alguns à beira da estrada, ou a carcaça de um tanque são infelizes recordações da guerra de 91-95. No entanto, os croatas fizeram uma reconstrução rápida das feridas da guerra, muito ajudados pela comunidade internacional, pelo que os vestígios são felizmente escassos, pelo menos nas regiões turísticas. Ainda bem.
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Chegados a Zadar, cujo centro histórico é classificado património mundial pela Unesco, procurámos estacionamento, o qual viríamos a encontrar nas traseiras do hospital, num parque público gratuito que também serve a zona balnear/praia. Dali saímos a pé em direcção à zona amuralhada e antiga da cidade, (ver imagem cm o Leão de S. Marcos, sinal da ocupação veneziana) onde estavam a fazer umas filmagens com tecnologias “domésticas”, rádio portátil no ombro do operador de som a controlar o “play-back”, um só operador de câmara. Protagonista: uma cantora ao estilo Ágata, com todo o respeito por ambas, que rodava um videoclip. Demos uma volta demorada pelo fórum romano, visitámos várias igrejas: o belíssimo templo de S. Donato, (um dos mais belos exemplares da arquitectura bizantina na Dalmácia, não lhe faltando o “matroneum” ou galeria das mulheres) as igrejas de Santa Maria, de S. Simeão, a de S. Crisógono, a catedral de Santa Anastácia - são 4 os santos padroeiros de Zadar: estes três últimos, mais S. Zoilo. “Perdemo-nos” pelas ruelas da cidade velha e regressámos à Juliette mais mortos que vivos, sequiosos dada longa jornada de passeios e viagem. |
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O calor apertava, mesmo ao fim de tarde, o mar ali tão perto… mas resistimos e procurámos o Autocamp FILKO (ver imagem abaixo), de que tínhamos referência, a 6km a sul de Zadar. Foi fácil encontrá-lo e mais ainda encontrar um lugar a 10m do mar. Mal parámos, enfiámos os fatos de banho e as sapatas e mergulhámos com imenso prazer nas águas tépidas do Adriático. Foi uma looonga banhoca até às 10 da noite, apenas interrompida para uma cervejinha rápida na esplanada do bar, ao pôr-do-sol. Hummmm! Depois…jantar…um passeio pelo molhe e pelo camping…maravilha! – a vida é bela… Dormimos placidamente, embalados pelo marulhar da água nos calhaus da praia. Camping aceitável, bom, mas com pouca sombra.
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Camping Filko (sul de Zadar) – Camping Excelsior (Strobec) Split -135Km
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Levantámo-nos cedo. Sendo o parque ainda pouco arborizado, o sol acertava na AV e ia aquecendo o ambiente. Além disso queríamos tomar banho de mar mais uma vez já que os da tarde/noite anterior tinham sabido bem. Assim foi. Depois dos banhos e do chuveiro, feitos os despejos da AV (águas negras), pequeno-almoço de pão fresco (encomendado na véspera na recepção) saímos em direcção a šibenik, com algum receio do trânsito que costuma ser caótico aos fins-de-semana, diziam as pessoas. Convém dizer que a Croácia é atravessada de norte a sul por alguns troços de auto-estrada, mas sobretudo por uma estrada nacional, a Magistrala Jadranska e que significa “estrada principal”. Ora, é esta a estrada que em alguns pontos, de norte a sul, à entrada ou saída de localidades, tem engarrafamentos monstros no Verão, sobretudo aos sábados e domingos, quando as gentes do interior vêm à praia, somando-se aos veraneantes. Tal como cá…convém evitar esses dias para circular
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Assim, e porque o tráfego é volumoso, é normal formarem-se longas filas vários quilómetros que, a uma velocidade de 40-60, sobretudo nas zonas costeiras, vão serpenteando pelas estradas. Apesar da condução ao nosso estilo, às vezes pior, não vimos acidentes, apenas uns toques menores em zonas urbanas. De notar ainda que as ACs e AVs são às centenas, de todas as nacionalidades, mas sobretudo italianas em larguíssima maioria, francesas, alemãs e eslovenas. Vimo-las da Holanda (muitas), da Noruega e Dinamarca, algumas espanholas e de Portugal…nem uma!
De volta ao relato, à entrada de šibenik, uma jóia do renascimento italiano, seguimos as placas de parqueamento e chegámos a um largo terreiro, vigiado e com cancela. Cobraram-nos 20 kunas por um dia (à hora era mais caro…) e partimos a pé, ao longo do passeio marítimo e da beira-mar até ao centro histórico. (ver imagem).
šibenik não foi tomada pelo Exercito Jugoslavo, ao serviço dos Sérvios, mas sofreu intensos bombardeamentos, de que há poucos vestígios, pelo menos visíveis. Na Croácia os telhados vermelho-vivo ou são de casa nova ou casa reconstruída depois da guerra. |
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Ziguezagueando por entre as esplanadas do passeio marítimo chegámos à catedral de S. Tiago, classificada património mundial pela Unesco, restaurada ao longo de vários anos depois da Guerra. Alguma estatuária e cantaria novas assim o atestam. Quatro destaques nesta belíssima igreja de fachada gótica enquadrada por dois pináculos: o magnífico baptistério (imperdível!), o cadeiral e o “matroenum” (galeria das mulheres) e as três naves do interior que ostentam as marcas do tempo pois são escuras (incêndio?); no exterior podem admirar-se 72 cabeças esculpidas na cornija. Partindo dali, ainda mirámos a igreja de Santa Bárbara e detivemo-nos largos minutos da Loggia Vecchia. Penetrámos depois pelas ruelas labirínticas da cidade-velha e desembocámos na grande praça que alberga à esquerda um mercado de frescos e muitas tendinhas de recuerdos. Muito turística, estava a abarrotar de visitantes, naquele momento dos ricaços americanos dos cruzeiros. Tal como em muitas outras cidades, todas as praças e recantos da cidade estão cheios de esplanadas de bares ou restaurantes, algumas mais que uma, não deixando aos visitantes e aos residentes a mínima hipótese de usufruir de um espaço vazio. Para mim é uma das notas negativas da Croácia: tudo é para comércio e serviços, obrigando quase compulsivamente ao consumo. |
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De volta ao estacionamento tomámos uma refeição ligeira, bebemos muita água que o tempo continuava quente: média de 33 graus nos últimos dias durante o dia, 27/28 à noite. Percebe-se o desejo de umas banhocas…e o mar ali tão perto. À saída de šibenik um engano na estrada leva-nos pela estrada do interior em vez da estrada costeira. De repente, estávamos numa estrada e numa paisagem tipo barrocal do interior do Algarve, mas na direcção de Trogir, com a vantagem de não haver trânsito, mas sem as vantagens da paisagem costeira e da hipótese de um banho… Ao longo da estrada vão aparecendo pequenos aglomerados de casa, agricultura de subsistência, figueiras, oliveiras e algumas vinhas em pequenos quadrados de terreno protegidos por muros, um pouco à semelhança do Pico, nos Açores. Toscos cartazes rascunhados à mão a anunciarem venda de vinho e “grappa” ou “rakija” a aguardente local, para além dos inevitáveis “sobe”, os quartos de aluguer. Um ou outro restaurante com os tradicionais assadores de leitão ou borrego ou os dois ao mesmo tempo (janjinica) animavam a estrada do barrocal croata. A salivar, porque o petisco se adivinhava apetitoso, fomos prometendo a nós próprios que no regresso nos havíamos de desforrar com um banquete de leitão ou borrego. Estes assadores são muito comuns nesta região da Dalmácia vendo-se menos nas outras regiões. Afinal o engano levou-nos até uma deslumbrante vista de toda a baía de Trogir, já que a estrada nos levou até um “plateau”, depois do qual se seguia uma descida vertiginosa até Trogir, cidade classificada património mundial pela Unesco. Se tivéssemos vindo pela costa com certeza não teríamos tido aquela vista geral. (ver imagem)
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Encontrado estacionamento num parque pago, claro…, visitámos o centro da cidade, o “casco viejo” como dizem os espanhóis e que se situa numa pequena ilha à qual se acede por uma ponte. Fomos direitos à catedral de S. Lourenço e depois de admirar e fotografar a esplêndida porta românica com os seus leões sustentando Adão e Eva e apreciado o interior, subimos o telhado da dita e apreciámos a vista da cidade bem como a brisa refrescante. Era possível subir até ao campanário veneziano, de onde certamente a vista seria esmagadora, mas o calor, o cansaço e a escada de metal, inclinadíssima e estreita demoveram-nos do intento. Melhor foi apreciar a Loggia, a torre do Relógio, a galeria com o memorial-painel dos caídos na guerra (todos jovens, deu pena…) e as ruas estritas e brilhantes do calcorrear das pessoas. Depois e ainda um vista de olhos pela Porta do Mar, o Mercado do Peixe, a Torre de São Marco e o Castelo de Kamerlengo, este mirado apenas do exterior. Um adjectivo para Trogir: charmosa. Na volta, visitámos o mercado – atenção aos mercados croatas, são locais absolutamente pitorescos, coloridos, de visita obrigatória! - parámos num talho (“mesnica”- mesnitsa) e comprámos carne picada para fazer as almôndegas (“miješano”-miichano – tipo souvlaki grego) e “čevapčići” (chevapchítchi – espetadinhas tradicionais) ou apenas uma massa à bolonhesa. Comprámos ainda uns bifes que vieram a revelar-se muito tenros. Incluo os nomes em croata e sua pronúncia um pouco por brincadeira…
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Um caso curioso e recorrente nas lojas: enquanto houver clientes croatas, os estrangeiros não são atendidos e os próprios croatas passam sem pudor e sem vergonha para a frente de quem estiver. A princípio estranhámos, mas depois já não ligávamos porque não valia a pena. E reclamar não dá em nada porque se fecham na sua indiferença e no seu mutismo, resmungam qualquer coisa em croata e tudo na mesma. Foi o que nos aconteceu no talho…feitios…mas pronto, a carne era excelente e barata. De Trogir passámos a Split pela circunvalação e, sem entrar, com a ajuda do GPS encontrámos o Camping Excelsior, em Strobeč, a 6km de Split de que já levávamos referência. Feita a recepção e registo, num italiano perfeito pela recepcionista (e por mim, já agora…) e escolhemos o local, à beira-mar. Fomos ao banho e, surpresa, era tão baixo que só a 100m da margem é que a água dava pela cintura. Não gostámos porque o fundo era lodoso, sem agitação e, pareceu-nos pouco limpo. Vai daí, vingámo-nos nos chuveiro (água gelada!!!) mas refrescámos. Feita a bolonhesa com a carne picada, cafezinho e passeata por Strobeč “by night”, que estava em festa. Além de música de rua, barraquinhas das tais espetadas de carne picada e muita cerveja, havia um bailarico. No areal deixado pela maré baixa, à luz do luar, jogava-se futebol de 4 e pareceu-me que a dinheiro, isto é, uma equipa defrontava outra e quem perdesse pagava à outra. Num montinho seguro por uma pedra estavam 4 notas de 100k, logo 400k, ou seja mais ou menos 50€. Forte aposta…mas havia várias equipas a querer jogar. |
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Mais à frente, e quase escondidos por umas árvores, um grupo de velhotes e suas esposas: elas só a assistirem, ao lado; eles cantavam “klapa”, canções tradicionais a várias vozes masculinas, um quase coral alentejano, um “cante” muito bonito e uma raridade e uma coincidência felizes. Com a máquina fotográfica fiz um pequeno vídeo, fraco na imagem e no som porque não quisemos interromper a aquele momento privado de convívio. Regressámos ao camping para uma noite de sono interrompido pelo barulho do trânsito (sobretudo as acelerações das motos no semáforos) ali perto. E por hoje o relato vai muito longo. Haja paciência!
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Camping Excelsior (Strobeč) Split - Camping Male Čiste (Živogošće) – (Riviera Makarska) 80Km
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Dia de visitar Split, não toda a cidade, que diziam ser desinteressante nos arredores e parte nova, mas apenas a parte histórica, essa sim muito interessante. Saímos cedo, 8h, depois do pequeno-almoço. Como na Croácia há sempre o problema do estacionamento optámos por deixar a AV no camping e ir de autocarro, depois de comprar os bilhetes na recepção. A paragem fica na Magistrala Jadranksa pelo que dado o volume de tráfego há uma passagem subterrânea que liga Strobec à paragem. O autocarro ia a abarrotar e nós cometemos o erro de introduzir o bilhete a fundo no obliterador. Resultado, ele não devolve o bilhete…e estávamos avisados para o não fazer. Conclusão: o “pica” (revisor) aparece, pede o bilhete e nós só tínhamos um. Felizmente uma senhora croata, que viu a cena e nos disse “Ne!, Ne!”, mas o mal já estava feito, deve ter-lhe jurado que nós tínhamos bilhete e contado a “estória”. Os bilhetes são por zonas. Um caso bicudo deu-se com sete mochileiros, muito simpáticos, que tinha bilhetes Z1 quando deviam ter Z2. Argumentaram com um engano do quiosque onde os compraram e até Split reclamaram, reclamaram e conseguiram não pagar o excesso. Eram canadianos e australianos e o revisor, que a princípio só falava croata, no fim falava inglês perfeito…malandro. Fomos revisados três vezes em 6km, sem mais problemas. Mas atenção…há revisores e fiscais por todo o lado…e não perdoam. Split estava com um trânsito caótico e vimos algumas ACs na cidade completamente perdidas e às voltas…
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Saímos do autocarro e entrámos imediatamente no Palácio de Adriano, (ver imagem) pelas caves, (por cima é o Portão de Ouro) hoje transformadas em local de venda de recuerdos e um mini-museu. Porque era Sábado, a cidade estava inundada de “camones” e pessoal dos cruzeiros pelo que até a circulação de peões era sufocante. Parecia a saída de um estádio depois de um SLB-FCP!! Impossível tirar fotos decentes, impossível ver a coisas com calma, impossível tomar um café…enfim…é a Croácia em Agosto! Praticamente, o nosso circuito circunscreveu-se ao perímetro das muralhas e do palácio de Adriano, zona classificada património mundial pela Unesco, como nos tinha sido recomendado. Para além de termos percorrido as quatro portas da muralha (Ouro, Ferro, Prata e Bronze) visitámos a catedral de S. Dómnio, o Peristilo , o antigo templo de Júpiter, hoje Baptistério de S. João, a Praça do Povo e o edifício da Câmara MunicipalTudo espectacular, bem conservado, cheio de gente…e tudo a pagar!! Tal como nas outras cidades, prevalecem as ruas estreitas, o chão de pedra calcária tão polida que o reflexo quase cega, e sucedem-se as gelatarias (excelentes e baratas por toda a Croácia – em média, 10k, 1.3€, duas bolas, dos mais variados sabores e texturas), as esplanadas, toda a parafernália comercial que se possa imaginar… (ver imagem) Depois de 4 horas a calcorrear o centro histórico, saímos pela Porta de Prata e fomos para o mercado de frescos. Aviso que tenho uma predilecção por mercados porque acho que é neles que se encontra a alma dos povos: o que são, como são… e este não me desiludiu. Reparei que havia poucos importados, com excepções, claro, mas sobretudo produtos da região. Parecia um mercado português, com as tiMarias e os TiManéis, mais as galinhas, os coelhos, as couves, os repolhos, os pimentos, as melancias (as melhores que comi até hoje… juro!), vendidas às metades, tal o tamanho, com abelhas e tudo…), os melões, as ervas secas, os queijos, os presuntos da Dalmácia, azeite (caríssimo), os licores, bom…um caos de prodigiosa abundância. Graças a Deus! -E pensar que há treze anos atrás se morria com um tiro de um “sniper”, por um punhado de ervas para uma sopa. A espécie humana é definitivamente louca… (ver imagem) Apanhado o autocarro de volta ao camping, pagámos e metemo-nos de novo à estrada rezando para que não apanhássemos um daqueles “atascos”, como dizem os espanhóis. De notar que a hora de saída dos campings depende…do camping. Assim, tanto pode ser até as 10h, como às 12h, como às 16h, como às 18h…perguntar sempre!! Eram 14 horas e, tal dito, tal feito. O trânsito para sul era lento. Para atravessar a cidade de Omis foram cerca de 45 minutos. Valeu quase no fim da cidade a presença dos “anjos de branco” que são nada mais que jovens vestidos de branco da cabeça aso pés, tipo farda de marinheiro, que regulam o trânsito nos pontos mais difíceis. Entrando finalmente na Riviera Makarska, ainda presenciámos mais um engarrafamento monstro (mais ou menos 6km de fila) para entrar no troço da auto-estrada para Norte. Era dia de mudança de turno, e muita gente regressava a casa para toda a Europa. Felizmente, íamos em sentido contrário, a rolar e não à torreira de um sol impiedoso. A estrada, recortada na falésia, oferecia-nos uma paisagem soberba e indescritível, um mar turquesa, o recorte das ilhas (que são mais de mil), mas aquele sol devia estar a derreter muita gente e muitos ares condicionados. O termómetro da AV mostrava +37…e eu acredito. Na fila, as ACs eram também às dezenas. |
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Um pouco inesperadamente, eis-nos à entrada Camp Male Čiste (http://www.maleciste.com); levávamos referência dum site espanhol, pela simpatia do acolhimento, a localização, o preço e o sossego; enganámo-nos, viemos a descobrir pouco depois, a referência que tínhamos era de um camping vizinho, separado deste por uma rede; não lamentámos o engano; o pequeno Male Čiste também é tudo isso, felizmente. O pessoal é muito simpático, prestável e cordial. O Šemi, a Emília e a Diana, e o Veljko quatro jovens croatas que fazem tudo para que a estada dos clientes seja a melhor possível, são quem “governa” o camping, que tem o essencial, nada de luxos. Deles trazemos as melhores recordações. (ver imagem) Ajudados pelo pessoal no parqueamento entre os pinheiros, instalámo-nos a 3m da água, sobrelevados numa pequena reentrância com acesso directo à água e entre uma vizinhança simpática: bósnios e polacos à esquerda, checos à direita. Feitas as formalidades, ainda tomámos uns banhos de mar em águas mornas, límpidas. |
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Reparámos que ninguém fechava nada, tudo aberto e relaxado e assim preparámo-nos também à vontade para um descanso merecido. Instalámos as nossas cadeira e passámos largo tempo a observar a água, a noite que caía, a silhueta das ilhas de Hvar, Korčula e Brač no horizonte, a lua que subia e iluminava o mar tranquilo como um alguidar de azeite. A noite estava quente pelo que tivemos tudo aberto até tarde, aproveitando para ver um pouco de TV. O termómetro marcava +27, a 3m da água, quando adormecemos de ventanas abertas e o turbovent a debitar alguma circulação de ar. Noite tranquilíssima, sem ruídos, apenas o chape suave da água na praia de cascalho. Ah! Quem fez o descanso merecia um beijinho no…
Camping Male Čiste (Živogošće) – (Riviera Makarska)
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Em princípio, iríamos ficar apenas dois dias no camping. Mas, a simpatia das pessoas, a natureza tão tranquila do lugar, algum cansaço e a vontade de nada fazer por uns tempos, ou seja, o verdadeiro descanso de férias, levou-nos a prolongar a estada neste camping por 8 noites, mais uma quando regressámos de Mostar. O que fizemos entretanto? Nada, para além dos banhos de mar, das 8 da manhã até ao pôr-do-sol, as leituras, as sonecas a meio da tarde (que canseira!), mais mergulhos a explorar o fundo do mar, a seguir os peixinhos e a descobrir as algas, as conchas e as pedras, a ver um ou outro barco que passava ao longe, a serra imponente de pedra branca Dalmácia logo ali, para o lado do interior, mais sombra, o cheiro a resina de pinheiro manso e a figueira, a lua a nascer e a crescer no céu límpido, o silêncio, umas cervejolas e uns cafezitos no pequeno bar, o convívio com os vizinhos mais próximos: |
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duas famílias polacas muito divertidas, crianças e adultos, duas famílias francesas muito impecáveis, pais, avós, crianças, adolescentes, um casal húngaro já de idade mas muito “gaiteiro”, outro casal checo de meia idade, enfim, uma paródia multilingue, porque nem sempre o Inglês é eficaz e universal como se julga; e os rudimentos de Russo que aprendemos há alguns anos deram-nos algum jeito. E lá se foram a minha reserva de vinhos, as compotas, as bolachas, chás, café…Demos e recebemos, de graúdos e miúdos, em ambiente de cordialidade, simpatia e felicidade, como só as férias sabem proporcionar. Gostámos muito, foi a melhor parte, estivemos em ambiente de verdadeiros afectos. E pronto, quando chegava a hora dos “adeuses” para quem partia ou ficava…era uma chatice… Entretanto, dia 7, quinta-feira, resolvemos visitar Dubrovnik. Ora, na véspera, um dos casais franceses e as filhas tinham decidido fazer essa mesma visita. Saíram de manhã e regressaram ao fim da tarde com notícias frescas: ao fim de uma hora de procura intensiva não tinham arranjado lugar de estacionamento, pelo que parquearam à entrada da cidade e foram de táxi para o centro. Com estas notícias, decidimos ir de autocarro, deixando a AV no camping. A paragem era em Živogošće (4km) e uma das gerentes do camping prontificou-se a levar-nos e buscar-nos, sem qualquer custo. Assim, às 7h 30m estávamos na paragem e pouco depois apanhámos um autocarro (368K ida e volta, duas pessoas = 50€) que nos levaria a Dubrovnik, numa viagem de 120Km por dois países: Croácia e Bósnia i Herzegovina. Na viagem fomos revisados por duas vezes pelos fiscais e na fronteira da Bósnia i H. verificaram-nos o passaporte. Fizémos uma paragem técnica em Neum (xixi, café e recuerdos). O pessoal do autocarro não era nada simpático, brusco até, tratando turistas (muitos) e locais com rudeza… A viagem durou cerca de três horas, dadas as paragens frequentes, estrada estreita e sinuosa nalguns troços No entanto, a paisagem espectacular da costa, a foz do rio Neretva (um delta) e as entradas e saídas dos passageiros distraíram-nos o bastante para não adormecer, como muitos… O autocarro deixou os passageiros na Central de camionagem e ali comprámos os bilhetes de autocarro urbano para o centro. São contínuos e modernos. O regresso fez-se da mesma forma, coma as mesmas paragens. Nas proximidades do camping pedimos ao motorista para nos deixar sair, ao que acedeu sem qualquer resmungo e até com um sorriso!!!. Ficámos surpreendidos, nós e o pessoal do camping a quem contámos a proeza, porque não costumam fazer essa “graça”. Ainda bem, tivemos sorte e não incomodámos ninguém.
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E Dubrovnik? Pois entrámos pela Porta Pile, armados com o nosso guia American Express, mas não deixando de ir ao Turismo buscar um mapa e mais alguns folhetos. Tal como em Split, debaixo de um sol que queimava, a multidão arrastava-se pelas ruas, em magotes compactos. Parecia que todos os cruzeiros do mundo tinham desembarcado ali, mais os autocarros de turistas, etc. Felizmente não há trânsito na cidade velha…a única parte com interesse na cidade em geral. Desde logo tomámos a decisão de não percorrer o perímetro das muralhas porque a fila da bilheteira era enorme e o calor não ajudava (+38º). Era curioso ver as russas e as ucranianas a despejar literalmente garrafas de água pela cabeça abaixo, elas, todas aperaltadas, molhadas que nem pitos… e as americanas já de idade e roliças a reclamarem: “Oh my god, I’m gonna faint! So hot!!” (Oh meu Deus, vou desmaiar com tanto calor!!). OK… Descemos então a rua principal, (Stradún – ver imagem) cosidos às casas e a aproveitar a pouca sombra até ao largo da Loggia , onde apreciámos a coluna de Orlando (1418), a Torre do Relógio e a Loggia do Sino, ambas do séc. XV. Convém aqui dizer que na Croácia, ao meio-dia tocam os sinos de todas as igrejas e os peões param por momentos para recordar a guerra recente. Também ali ao meio-dia tocaram os sinos, parou tudo e observaram-se alguns momentos de silêncio. Foi estranho e comovente…depois, a algazarra recomeçou. |
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Seguimos a visita ao porto de Dubrovnik, demos a volta às muralhas e reentrámos na parte antiga para procurar um restaurante. Fugimos das zonas centrais por serem sempre mais caras e numa ruela mais lateral, à sombra!!, encontrámos uma pizzaria de gente simpática e “alapámo-nos” com uma entrada de salada e vários enchidos croatas, que incluía o famoso presunto, queijos, etc. Abundante e a preço razoável. Seguiram-se as lasanhas avantajadas, uma de legumes, outra de carniça, a minha bem regada por uma Ožujsko (excelente cerveja de ½ litro!!), cafés e uma rakija (aguardente) gratuita. Total: 206 kunas (28€), preço razoável para Dubrovnik, cidade cara. Reconfortados, “atacámos” mais umas igrejas, a catedral, uma igreja ortodoxa grega, a sinagoga, lojas de recuerdos e de pronto-a-vestir, porque, enfim, as senhoras também têm os seus direitos e necessidades… Eu cá fiquei-me por uma loja de pesca que tinha uns artigos em promoção… |
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Regressámos ao porto para nos refrescarmos um pouco com um gelado e estava na hora de apanhar o autocarro de regresso, fazendo o caminho inverso com uma paragem na grande fonte de Onófrio, com vinte e uma bicas, para dessedentar e descansar. Esta fonte foi a que valeu aos habitantes da cidade durante o cerco de 19 meses, em 92-95. Com efeito, como a canalização é profunda (séc. XV) os bombardeamentos feitos a partir das colinas vizinhas, não a conseguiram secar. No entanto, ir à fonte era um grande risco e algumas pessoas morreram. O povo abastecia-se de noite, evitando as morteiradas sérvias. Hoje, os lugares onde estavam colocados os morteiros são pontos de visita e de vista sobre a cidade, pois foram escolhidos com cuidado. Em Dubrovnik (património da Humanidade, segundo a UNESCO) os telhados são quase todos novos e nota-se nas paredes, aqui e ali, os efeitos dos obuses. No entanto, os croatas tiveram o cuidado de arranjar tudo até ao primeiro, segundo andar e telhados. Em alguns porém, há marcas bastante visíveis, sobretudo nos andares cimeiros, aqueles que vista não alcança naturalmente. Espertos… |
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Impressões gerais: gostámos de tudo; não gostámos do excesso de gente e do calor…imperdível apesar disso. Conselho: começar a visita cedo (7.30/8h) para evitar as filas, os cruzeiros, as excursões…e o calor. Nota: vimos e ouvimos muitos portugueses em excursão (ou cruzeiro…)
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Camping Male Čiste – Mostar (Bósnia Herzegovina) – Camping Male Čiste 234Km
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A dez de Agosto, domingo, partimos do Male Čiste, pois resolvêramos visitar Mostar, regressando ao camping ao cair do dia. Depois de metermos combustível em Gradac fizemos parte da estrada que tínhamos feito aquando da visita a Dubrovnik até ao delta do Neretva. Este delta muito fértil foi objecto de acesa disputa entre croatas e bósnios durante as conversações de paz de Camp David tendo ficado para os croatas, sendo que não está abrangido pela estreita faixa que dá o acesso da Bósnia i Herzegovina ao mar . No delta, flectimos para o interior, para a cidade de Metkovič e dali, passado o controle de fronteira, em longa fila, subimos o rio Neretva até Mostar, uma vez que a estrada ladeia o rio. Mal se passa fronteira, controlada por piquetes de polícias de um país e de outro (é preciso passaporte e a carta verde é obrigatória), notam-se logo pequenas diferenças: as pessoas são mais tristes, as estradas de qualidade inferior, é evidente a existência de mesquitas em todas as localidades, uma ou outra igreja católica, e mais casas destruídas ou em ruínas. Paradoxalmente, viam-se bandeiras da Croácia hasteadas na beira da estrada ou em faixas de uma berma à outra. Perto de Čapljina, numa terreola chamada Gabela, situava-se um dos maiores campos de concentração e extermínio activo durante a guerra de 91-95, campo que já não existe por ter sido arrasado; o mesmo se passou em Stolač. Monumentos à vergonha ninguém os quer. Das leituras que fiz sobre a guerra de 91-95, sobretudo o livro de José Rodrigues dos Santos “ De Saigão a Bagdad”, vol.II, chego à conclusão que “estiveram bem uns para os outros”, isto é, todos se portaram da mesma forma, cometeram as mesmas atrocidades e quem saiu prejudicado foi, como sempre é, o povo anónimo e infeliz. No entanto, olhando para o mapa regional é fácil notar quem ganhou e quem perdeu… Adiante, que o que nos move não é a política. No entanto, vivemos neste mundo e temos que tentar compreendê-lo… Ao longo do rio sucedem-se os campos agrícolas, sobretudo grandes extensões de belas vinhas, todas com as suas caves e algumas com imponentes hotéis. È bonito de ver e denota que, pelo menos para alguns, a guerra não trouxe grandes perdas e a reconstrução proporcionou grandes oportunidades. À proximidade de Mostar, uma zona industrial parece florescer de forma algo anárquica mas em crescendo. Na cidade, cujo centro é classificado património mundial pela UNESCO, tentámos encontrar estacionamento junto à cidade velha, a StariGrad, o núcleo central que engloba a Stari Most, por termos notícia que na zona “nova” da cidade seria menos seguro. Assim, encontrámos, no enfiamento de um acesso directo à artéria principal, um terreiro em macadame, vigiado por três indivíduos cujo aspecto não era de grandes confianças, mas mesmo assim vigiado e com bilhete passado. Já ali se encontravam 3 ou 4 ACs pelo que resolvemos confiar e partimos à descoberta da cidade.
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Começámos a visita descendo até ao rio Neretva, que aqui tem uma tonalidade verde-esmeralda, própria dos rios de montanha. Na beira do rio umas crianças e uns casais, como nós, molhavam os pés numa água gelada à vista de uma ponte de um arco único, elegantíssima na sua altura e perfil. A ponte Stari Most estava bordada de gente, de silhuetas móveis, recortadas num fino céu azul de verão. Debaixo da ponte uns blocos abandonados relembram a tragédia da sua destruição em Novembro de 94 pelas bombas certeiras de dois caças croatas, depois de meses de bombardeio - “Don´t forget 93”, diz uma inscrição. A ponte era um símbolo de união entre uma cidade há muitos anos multicultural e multi-étnica. A sua destruição foi um marco claro de quem queria marcar uma fronteira, quebrando laços seculares e estabelecer diferenças baseadas em credos políticos, religiosos e étnicos. Ora, a história está cheia de conflitos que, baseados na acentuação das diferenças, terminaram em catástrofes humanitárias globais. Adiante.
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Do rio subimos à ponte atravessando as esplanadas de pequenos bares e os pátios de algumas lojas. A rua principal, calcetada em calhaus rolados, estava pejada de gente, turistas como nós, que apreciavam o colorido das lojas. Há quem considere esta rua um pequeno “souk” árabe, tal a profusão de lojas de cariz e artigos variadíssimos do médio-oriente. Entrámos em várias lojas, comprámos alguns artigos a bom preço (recomendam-se as sedas puras) e fomos sempre atendidos com simpatia e cortesia. Um senão: os bósnios preferem os euros à marka, a sua moeda nacional em desvalorização e torcem mesmo o nariz, perguntado se não temos euros. Aliás, os preços estão marcados em euros, markas e até em kunas. A rua é nova, reconstruída na totalidade depois de arrasada na guerra. Do alto da ponte de basalto claro, muito escorregadia e com a necessidade de travessas para ajudar a travar o passo, avistam-se os grandes cemitérios das colinas em frente. O cristão, o muçulmano e o de todos…
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Depois da ponte, à direita há um memorial fotográfico dos dias difíceis de Mostar, de acesso gratuito. Passadas as lojas, bem ao fundo da rua, com acesso por uma pequena porta, abre-se o pátio de uma mesquita (das vinte e tal que tem Mostar) visitável com subida ao minarete incluída no euro e meio de entrada. O “porteiro” é afável e presta todas as informações solicitadas, deixando os visitantes à vontade, depois de lhes explicar as regras de acesso. A vista do alto do minarete arrasadora, a não perder, bem como as sombras e a água das fontes do pátio interior, ambas frescas e agradáveis num dia de Verão. Em si, a mesquita é simples e de decoração algo naïf. Mostar, cidade importante Do Império Otomano, porta de entrada na Rota da Seda, é um lugar diferente e comovente; chamavam-lhe “a pequena Istambul” pela variedade das suas gentes e das suas formas de vida, pela fisionomia da cidade. A guerra tudo mudou. Fora da rua principal e da vista do turista, as marcas da guerra são por demais evidentes. Há grandes casas destruídas, sem telhados, paredes esventradas por obuses, paredes picotadas pelo impacto das balas e muitos pequenos cemitérios, a maior parte em jardins, que eram o espaço disponível para os enterramentos. Olhando as datas dos pilaretes funerários a evidência é brutal: anos de 92,93,94,95. Idades: 25-45 anos. Enfim, duas gerações perdidas….em nome de quê? |
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Chegada a hora do almoço, sentámo-nos num restaurante típico, no centro, o Sadran, onde fomos soberbamente servidos de uma tábua de queijos, enchidos e pães, um grelhado bósnio, abundante de carnes variadas, numa travessa enorme com muita simpatia dos empregados. Pagámos em kunas sem qualquer problema (146K – 20€). Valeram a pena. Regressados à AV, pedimos a conta e, surpresa: 15€ de estacionamento!!! Bem, olhada a tabela, escrita à mão, lá estava a conta, correcta. Devíamos ter pedido a tabela…antes. De novo na estrada, agora em direcção a Medjugorje, um novo santuário mariano (dedicado a Maria), centro de peregrinação mundial, depois das aparições de Nossa Senhora a cinco videntes, em 1981 na colina de Crnica num lugar chamado Podbrdo. Pode encontrar-se mais informação no site indicado abaixo, junto da imagem.
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Os cinco videntes: Ivan, Jakov, Mirjana, Ivanka, Marija. Esta imagem foi tirada durante as celebrações do 26º aniversário das aparições e foi retirada do site: http://www.medjugorje.ws Os videntes levam vidas normais, casados e com filhos, tendo a graça da comunicação com N. Srª. que lhes transmite mensagens com alguma frequência. A estrada de acesso a Medjugorje, vindos de Mostar é íngreme, muito acidentada, com muitas curvas em cotovelo, dado que é necessário subir do nível do rio ladeado de vinhedos e campos cultivdos ao planalto, numa parede quase vertical… mas é um deslumbramento paisagístico.
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Medjugorje (ver imagem abaixo) é a nossa Fátima em ponto mais pequeno. Talvez salvaguardadas as devidas distâncias, quem conhece uma conhece outra. A basílica é desinteressante do ponto de vista arquitectónico e o santuário ao ar livre cumpre a sua função, bem como os centros de acolhimento, de confissões, a lojinha. O comércio na cidade é florescente e próspero com peregrinos de todos o mundo, literalmente, havendo restaurantes, hotéis e todo o tipo de alojamento para todas as bolsas. Depois de comprarmos, também, alguns recuerdos, pusemo-nos de novo a caminho e chegámos, já noite ao Camping Male Ciste. O dia tinha sido longo e cansativo, cheios de emoções. Houve ainda tempo para um mergulho ao anoitecer, para passar pelo bar do camping, fazer algumas despedidas circunstanciais e ir descansar, já que, no dia seguinte, iniciaríamos a viagem de regresso.
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Camping Male Čiste –Štrasko – (Ilha de Pag) - 327Km
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Com alguma pena, feitas as últimas despedidas, deixámos o Camp Male Ciste e começámos a rumar a norte, pela estrada nacional. Em Makarska parámos no supermercado para reposição de alguns víveres e umas compras de ocasião. O movimento era grande com muita gente em todo o lado. Passámos novamente por Omis, Split (arredores), Trogir e, desta vez, sem enganos, fomos então pela estrada costeira que falhámos na ida e da qual já demos conta. Esta estrada costeira é soberba. Ora alcantilada ora a roçar a água, os campings à beira-água sucedem-se e a escolha é difícil. Difícil foi, também, encontrar um sítio onde nos pudéssemos banhar para refrescar um pouco. Como íamos do lado de dentro da estrada, o lado da serra, não havia sítios para estacionar e, para cúmulo, havia um traço contínuo que não tinha fim. Assim rodámos sempre na ordem dos 60km hora, em longa fila, até Zadar e dali à famosa ponte que liga à ilha e Pag, o nosso destino. Uma vez na ilha procuraríamos um camping, passaríamos a noite, regressando de ferry ao continente. Podíamos ter escolhido outra ilha. Optámos por esta por que é diferente de todas as outras pela sua cor, por ser ainda muito selvagem e ter, segundo nos disseram das melhores águas para banhos.
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Como se sabe, Aveiro foi um grande produtor de sal. Há cerca de dois anos realizou-se aqui um encontro de regiões europeias produtoras de sal. Curiosamente, a ilha de Pag estava representada, pois as suas marinhas são as únicas da Croácia e das últimas também em actividade. As marinhas vêem-se da estrada pelo que não as visitámos in loco. (ver imagem) Na cidade de Pag, pequena, labiríntica e estreita encontrámos estacionamento –pago- com facilidade, ao longo do cais numa espécie de passeio público. Ali, num mercadinho de rua comprámos uma garrafa de vinho local –caro e horrível- e uns tomates que, garanto, foram dos melhores que comi até hoje. O que perdemos no vinho ganhámos no tomate, realmente delicioso. Pag é uma ilha e pouca agricultura, apenas de sobrevivência, e de alguma pastorícia. A face da ilha virada a ocidente tem alguma vegetação, a face voltada a leste é completamente nua, sem qualquer vegetação, só pedra, e desértica. Daí a sua cor branca da calcite e da ausência de verdes. A idade em si é simpática na parte velha, de influência veneziana uma vez mais. Muito interessante a igreja local e o museu mesmo em frente.
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As mulheres de idade veste de forma peculiar, parecem nazarenas com as suas saias rodadas e sua forma peculiar de colocar o lenço de cabeça. No entanto há nelas algo de familiar que nos lembra também as mulheres de Mira ou da Murtosa. A ilha é sobretudo famosa pelas suas rendas de bilros, em redondo, a preços proibitivos. Estas rendas são manuais, executadas pelas pessoas de mais idade e são na realidade um primor. O pior é o preço…uma peça do tamanho do fundo de uma garrafa anda pelos 50/60€. Outro produto famoso da ilha é o queijo Paški Sir, de ovelha, curado, do tipo duro como pedra. Bem…o quilo ronda os 80€, pelo que é vendido aos pedaços, nunca se desembolsando menos de 20/30€. Um roubo, mas uma delícia…Tanto uma como o outro são vendidos à porta das casas particulares, tal como mel, vinho, rakija, sem ASAE’s chatear. |
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Deixada a cidade de Pag para trás e ainda cedo, procurámos um camping onde descansar e tomar umas banhocas. Calhou-nos Strasko, um camping gigante, com milhares de pessoas, sim, milhares (capacidade para cerca de 8 mil pessoas), uma vila grande onde há de tudo…mesmo tudo: supermercados, lojas, um mini-comboio sempre a rodar, transporte gratuito de e para a vila, padarias, cabeleireiro, restaurantes variados, bares, animação nocturna, o que quiserem… até um mini quartel de bombeiros dado que o parque é fortemente arborizado – pinheiros altos até ao mar…!! Nunca tínhamos visto um camping tão grande!!! Tem área de nudismo. A zona que nos destinaram estava cheia e anárquica na arrumação, pelo que decidimos procurar um lugar fora da zona indicada. Encontrámos um na zona dos reservados, com tomada de electricidade, e rezámos para que ninguém o viesse reclamar. Não vieram.
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Fomos até à praia, banhámo-nos e jantámos. Demos uma volta pela animação nocturna (restaurantes, desportos radicais, baile(s)).Ainda apanhámos o comboio interno (gratuito e que passa de 20 em 20minuto e com várias “estações”) até à porta do camping para dar uma volta pela vilória e conhecer um pouco da “night-life” que nos disseram ser animada, mas, uma caminhada de 5Km de ida e volta pareceu-nos demasiado pelo que escolhemos um bar sossegado junto à zona nudista, tomámos uma bebida e… deitámo-nos. A animação terminou por volta da 11horas e tudo sossegou.
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Camping Štrasko – (Ilha de Pag) – Camping Pineta, Pula, 272Km
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Alvorada e pequeno-almoço com pão fresco de uma das loja de conveniência dentro do camping. Para tanta gente, fácil se adivinha que é possível encontrar de tudo. O Supermercado Konzum é do tamanho de outro qualquer, com os mesmos produtos, assim como frutarias, padarias, lojas de pronto-a-vestir, “recuerdos”, tudo alinhado numa rua que pode ser uma rua comercial qualquer. Impressionante e, no meio de tudo uma multidão que anda às compras. Saímos (depois de uma eternidade para pagar…) e fomos dar uma volta pela vilória ainda mal acordada da noite anterior. Nada de especial a não ser a grande quantidade de restaurante com assadores de leitões e borregos. Ainda era cedo e jurámos que era hoje que pararíamos à beira da estrada para provarmos o petisco. Até combinámos que pediríamos dos dois para trocarmos sabores. Seguimos as indicações do ferry e atravessámos uma vez mais a metade da ilha que parece um deserto lunar, sem árvores ou sequer um tufo de erva. Ao fundo de uma longa descida, a plataforma do ferry. Pusemo-nos na fila e pagámos ao guichet o bilhete de ingresso, classe 2 até seis metros. Como faltava algum tempo decidi-me por uma volta no cais e apreciar à transparência extraordinária da água um grupo de douradas ( a rondar o quilo cada uma) a debicar num poste de amarração a dois ou três metros do molhe. Que pena…uma canita de pesca dava jeito…
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As filas de espera já tinham engrossado bastante e, dada a ordem de embarque, subimos a bordo. No convés tirámos as fotos da praxe e meia hora depois atracávamos do outro lado e subimos a estrada muito íngreme até à estada principal, a Magistrala Jadranska. De novo em comboio de viaturas, ondulámos serra acima serra abaixo, sempre com o mar à esquerda e com umas paisagens de costa e ilhas de cortar a respiração. À entrada de Selce passámos por um dos restaurantes de beira de estrada com assador. Travões a fundo e inversão de marcha para o restaurante, que não tinha estacionamento mas que o dono nos arranjou à entrada de uma vivenda. Como não havia problema, segundo ele, entrámos para almoçar o dito leitão que sairia dali a 5 minutos segundo o dono/assador. O empregado de mesa, filho do patrão, insistiu, num italiano perfeito, que 1 quilo do bicho seria o ideal para dois e nós, admirados…aceitámos pois, se sobrasse, haveríamos de fazer umas “sandochas” para o lanche. Veio então o “reco” e umas batatas fritas, uma salada mista, pão e uma jarrinha de branco capitoso, tipo vinho verde, gelado. Bem…sobrou uma lasca para uma sandes generosa. Pagámos o equivalente a 30€ mas valeu a pena porque estava delicioso. Pena que não havia borrego no espeto. Segundo o que eu li depois, o leitão depois de limpo é mergulhado até ficar coberto, durante um dia, numa marinada de vinho, sal, pouco alho, louro e ervas aromáticas dos montes. Estas ervas aromáticas, cuja composição e proporção varia de assador para assador, é que constituem o segredo de cada um. Depois, a “arte” de controlar o fogo e as brasas da assadura (4horas) é que faz o resto…que é muito bom! |
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Uma vez em Pula estacionámos junto ao anfiteatro num estacionamento normal de rua…vantagem de uma AV!! Comprados os bilhetes visitámos o anfiteatro e as exposições da cave, ambos magníficos, e fomos dar uma volta pela cidade não nos afastando muito da marginal marítina. Estávamos cansados e suados pelo que resolvemos procurar um camping para nos banharmos e deixámos para o dia seguinte uma volta mais demorada pela cidade que o guia e outras referências diziam que valia a pena. Escolhemos o camping Pineta (Pinhal) em Fažana, a poucos quilómetros de Pula, junto à vila de Brijuni. A moça do camping, muito simpática, não atina com o meu nome, por ser grande, e faz-me uma proposta estonteante: ir a Pula no dia seguinte mudar de nome. Diz-me ela: -“Vai a Pula, à Câmara, entrega os seus documentos, preenche uns papéis, escolhe um nome, paga as taxas e já está!! Eu, se quisesse, podia ser Ivanca de manhã e Marijka à tarde!!”
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Bem, a brincadeira do resto do dia e dia seguinte foi a escolha do nome. Mas depois compreendemos que num país, depois de uma guerra, deve dar algum jeito a muita gente poder mudar de nome com essa facilidade…e provavelmente nem sempre pelos melhores motivos. Estacionados à vontade, fomos aos banhos. O parque é também enorme, ao estilo do parque Inatel da Caparica de há uns anos. Era um parque para trabalhadores e famílias. As instalações são velhas e gastas mas limpas e pintadas de fresco. Predominam eslovenos, húngaros, austríacos, alemães e os inevitáveis italianos. Depois de jantados, como ao longe se ouviam os ecos de uma festa popular em Brijuni e muita gente do parque se dirigia para lá, fomos também ver o que se passava. Um quarto de hora de caminhada e era de facto uma festa popular, ao jeito das nossas, com arraial de bailarico, comes e bebes, barraquinhas de tudo um pouco e no fim o foguetório da praxe. Noite tranquilíssima e bem dormida.
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Camping Pineta, Pula, - Camping Finida, Umag, 112Km
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Acordámos cedo para os banhos (mar e chuveiro). Pequeno-almoço e relaxe no exterior. O parque fica frente à ilha de Brijuni, local onde o Marechal Tito tinha a sua casa (palácio) de férias e onde recebia os governantes estrangeiros no Verão. A ilha é hoje um resort de luxo (viam-se grandes iates ancorados… ver imagem abaixo), com uma zona visitável aos turistas. Tem ainda uma espécie de zoo ao ar livre, com algumas espécies que andam por ali em liberdade.
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Depois das limpezas e mudanças de águas e reposição na área de serviço par ACs., voltámos então a Pula para rever a cidade: a catedral, a praça central (fórum), o templo de Roma e Augusto, o Arco dos Sergii (ao lado o bar “Uliks” onde James Joyce costumava parar), o castelo… Desta vez consegui um lugar de estacionamento na zona livre, perto do Coliseu. Um achado!! E lá fomos visitar os monumentos que tínhamos deixado para trás no dia anterior. Feita a ronda embrenhámo-nos pela rua do arco dos Sergii, rua pedonal com muitas lojas de comércio e alguns cafés. Ao fundo havia uma feira de velharias, um bricabraque variado que ia desde roupas a móveis, de discos a vidrarias, de fardas da II guerra mundial a adereços para “metaleiros”, de livros a estamparia. Enfim, o costume…
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Dali fomos ao mercado municipal pois havia víveres em falta, sobretudo frutas. Bem, o mercado é fabuloso tanto nas barracas do exterior como da parte contruída em ferraria ao estilo do séc.XIX. Grosso modo é uma mistura de Bolhão e Ferreira Borges, para quem conhece ambos. Na peixaria deu-nos o impulso de comprar peixe. Como a hora já era tardia e já estavam a recolher, escolhemos uns chicharros que nos foram amanhados e embalados em gelo e ainda embrulhados em jornal!! Tudo por quatro euros (um euro cada). Porém, a caldeirada que fizemos com eles resultou sápia e deliciosa e, asseguro, foi do melhor peixe que comi até hoje, pela frecura, cor branca, sabor e textura. E eu percebo de chicharro, que é um dos meus peixes preferidos!!
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Visitada Pula, reabastecemos e combustível e rumámos a Poreč deixando para trás Rovinj, uma jóia que vale a pena visitar noutra viagem. Em Poreč o estacionamento para AC é longe do centro e caro. No centro há proibições de estacionamento por todo o lado. Porém, numa rua paralela à marginal do porto encontrámos estacionamento pago mais barato que o municipal e mais perto. Poreč é mais uma cidade ao estilo veneziano, de ruas estritas e polidas, de lojas e mais lojas. De notável a Basílica de Eufrásio, do séc. VI, uma obra-prima bizantina decorada com mosaicos esplêndidos sobre um fundo de ouro. A galeria (retratos) de mulheres célebres na Igreja, santas na sua maioria, que decoram o arco do cibório é esplendorosa. O baptistério, a sacristia, o interior, o cibório, são do melhor estilo bizantino antigo que vi até hoje ainda que haja, naturalmente, outros estilos, de acordo com as reconstruções que fora sendo feitas em 1400 anos. Mas o original também está lá. Absolutamente a não perder. (ver imagem)
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A noite fizemos a tal caldeirada de chicharro, excelente!! Noite algo barulhenta até às 1hora pois um grande grupo de alemães fazia um jantar colectivo de despedida. |
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Camping Finida, Umag – Área de Sirmione, Itália – 379km
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Mais uns banhos matinais, pequeno-almoço e partida rumo a S. Sirmione, Lago de Garda. Nós, com sol e temperatura alta, para a zona e S.Sirmione a previsão é de trovoadas. Ok, logo veremos… Mudança de águas sem grande necessidade… À saída procurámos um supermercado, calhou-nos um Plodine e entrámos. O objectivo era gastar as últimas kunas. Assim foi. Comprámos material escolar baratíssimo, cerveja, compotas e mais coisas até sobrarem 7 ou oito kunas. Rolámos até à fronteira com a Eslovénia onde gastámos essas kunas numa garrafa de água. (Já em Portugal, descobri num bolso 110 kunas em notas…se alguém precisar). Muito trânsito a sair da Croácia quer em direcção à Eslovénia quer à Itália, pois era “mudança de turno”. O primeiro objectivo era a cidade de Pádua e a visita à Basílica de Santo António. Levávamos as indicações de um parque de estacionamento no centro, junto com autocarros de turismo e com possibilidade de pernoita. Se bem que não fosse nossa intenção pernoitar, procurámos estacionamento junto a outras ACs. Surpresa das surpresas calhou-nos como vizinha uma AV da mesma marca da nossa e de matrícula portuguesa!!! Pela “pinta” deduzimos de quem era e deixámos um bilhete no vidro do condutor e fomos à visita na ténue esperança de encontrar os donos da nossa “irmã” sénior. Não encontrámos, mas no regresso estava lá um bilhete simpático de reconhecimento mútuo. Curioso…nunca nos encontrámos por aqui e fomos “quase” encontrar-nos em Pádua, Itália!!!
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Foi com alguma emoção e devoção que visitámos a basílica de Santo António de Lisboa. Não vou fazer a descrição da basílica. Referirei apenas que nos sentimos muito felizes por termos visitado a basílica, a capela das relíquias e parte do complexo religioso. A nosso pedido um frade franciscano benzeu-nos algum material religioso que aqui em Portugal distribuímos por familiares. Gostei de Pádua e hei-de voltar.
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Depois da janta ainda demos uma volta pela margem do lago e observámos os relâmpagos nas montanhas, ao longe. Noite com alguma chuva miúda, mas razoavelmente tranquila. Como no dia seguinte era a festa do “Ferragosto” e é tradição em Itália fazerem-se grandes piqueniques familiares as previsões eram de trânsito intenso e alguns engarrafamentos aqui e ali. Como tínhamos que estar no aeroporto de Bérgamo às 21.30 e ainda ir para Turim, onde prevíamos chegar à meia-noite, se não houvesse atrasos, fomos dormir.
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Área de Sirmione, Itália – Turim, centro – 330km
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Lago de Garda- Lago de Iseo- Bergamo- Turim O dia amanheceu claro e límpido. Apenas nas montanhas se adivinhavam umas nuvens que, para a tarde não auguravam nada de bom. Pequeno-almoço a bordo, arrumações e depois de tudo no sítio demos um pequeno passeio pela beira-lago. Que mundo de gente!!! Onde ontem havia muito espaço verde hoje eram mantas, cestos, guarda-sóis e um pequeno mar de gente estirada ao sol, a jogar à bola, a andar de bicicleta, a passear os cães, um sei-lá de actividades próprias de um feriado tão apreciado em Itália como o “Ferragosto”. De regresso, aproveitámos para esvaziar água e fazer o pleno. Ainda passámos pela recepção mas óculos…nem vê-los! Na estrada, decidimos percorrer a península de Sirmione, o que se revelou uma má ideia. As filas eram tantas que, já arrependidos e sem hipóteses de voltar para trás, seguimos a corrente e fomos observando as excelentes “villas”, os inúmeros hotéis de charme e o caótico trânsito onde os italianos se sentem tão à-vontade.
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Seguindo a margem esquerda do lago, tomámos a direcção Iseo e do seu não menos famoso lago. Pelo enquadramento e pelo espaço disponível, este sim, mereceu a nossa atenção e interesse. De facto, de qualquer das margens, a paisagem é arrebatadora. À beira da estrada encontrámos um café improvisado, com frutaria e artigos da região incluídos, onde tomámos café e repousámos um pouco. Rezava uma placa que os proprietários já exploravam aquele espaço há 44 anos, indo na segunda geração. O lugar é típico e de paragem assídua por parte de alguns porque tem uma especialidade do lago como chamariz: peixinho fritos. Com efeitos os “pratinhos” custam 2.50€ e podem ser acompanhados por batata frita e um vinho da região (à parte). Além disso, tem outras especialidades gastronómicas. O café era excelente. |
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No fim da linha, lado norte, depois de muitas dúvidas por ser feriado, estava aberto um hipermercado pelo que, embora ameaçasse trovoada eminente, entrámos no parque para uma compras de fim-de-semana. A trovoada foi imediata e com uma violência de há muito não me lembrava. O céu desabava em água sobre aquele pedaço de terra. E o pior é que tinha deixado a clarabóia meio-aberta. E tive que ir fechá-la…debaixo de um dilúvio, agora de granizo ao porto de ter que proteger a cabeça com os braços… Passada a tormenta, as valetas transbordavam e a estrada era em alguns troços um lenço de água contínuo, por vezes até um quarto de roda… Já a caminho de Bérgamo, paragem em San Paolo D’Argon para uma visita à abadia beneditina, singela mas caracteristicamente barroca. O tempo estava fresco pelo que continuar foi a opção certa.
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Entrados em Bergamo o destino era a parte alta da cidade. De facto a cidade tem um burgo alto, assente sobre uma grande colina que domina a planície lombarda a perder de vista. À primeira tentativa de acesso, rua única de dois sentidos, fomos barrados por um sinal de trânsito proibido. Mais umas voltas e tentámos o acesso por outro local. Ao fundo, uma brigada de Carabinieri não augurava nada de bom. Tentámos e…surpresa. Só turistas estrangeiros podiam ter acesso à parte alta, pelo que podíamos passar. E esta???!! (Os italianos teriam apenas acesso depois das 19 horas, excepto os residentes). Subimos, estacionámos onde quisemos (coisa raríssima em Itália) e aproveitámos as delícias de andar com pouca gente num local interessante. Na rua principal compramos umas pizzas “al taglio” (à fatia) que comemos na escadaria de uma das muitas igrejas. Mais uma voltas pelo burgo e depois de mais um gelado e uma fotos da cidade baixa vista do alto, encetámos a descida e demos uma volta pela cidade, um pouco sem rumo, só para senti-la e ter uma noção da sua fisionomia. O GPS levou-nos ao aeroporto de Bergamo, o low-cost que serve Milão. |
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Era ainda cedo e o estacionamento caríssimo pelo que fomos dar mais uma volta e esperar. À hora certa chegaram os nossos passageiros e retomámos a auto-estrada para Turim. Os dias seguintes passámo-los em Turim, cidade deserta naqueles dias de Verão, entregue aos turistas como nós, sem trânsito significativo, muito estacionamento e com quase tudo fechado.
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Turim, centro - Pau (Morlaas -Camping des Sapins) – 959Km
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Foi com muita pena e um adeus até ao Natal que nos despedimos do nosso familiar. Uma lagrimazita, uns abraços fortes e sair em direcção aos Alpes e à primeira etapa: Grenoble. Assim foi. Pago o túnel (um roubo, já disse) e uma paragem breve em Grenoble para combustível e uma compras no Carrefour. Esta seria uma viagem sem história, do tipo papa-quilómetros. Porém, na área de serviço da auto-estrada A61, junto ao gigantesco Quadrante Solar, um português que ali vendia pêssegos de uma exploração agrícola próxima, encheu-nos o saco por um preço módico. Solidariedade patrícia, digo eu, e uns pêssegos excelentes, sápidos e sumarentos. O Camping dês Sapins em Morlaas era simpático, assim como a proprietária, instalações razoáveis e um preço também a condizer. A máquina de café era ainda das de êmbolo, uma peça já de museu, mas o café delicioso. Noite tranquila, não fosse um melro chato que cantou a madrugada toda memo por cima da AV. Mas pode mandar-se calar a Natureza? Seria um pecado…
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Pau/ Morlaas – Aveiro – 976km
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Uma etapa sem qualquer nota de registo. Saída de Pau às 10h15. Paragem no Carrefour de Baiona para um “last shopping” e chegada a Aveiro pelas 23h30, cumprindo as paragens de descanso necessárias. Cansados mas felizes. Grande viagem! |
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